LUIZ GERALDO MAZZA
O bedel e o mestre
Cada vez o estilo de Roberto Requião mais se ajusta ao de Manoel Ribas: já deu, mais de uma vez, mostras de que não pretende tolerar os auxiliares que fazem ''gazeta'' nas reuniões de segunda-feira. E ao perceber na de ontem que a assiduidade não era uma regra geral ameaçou aplicar o ''cartão vermelho'' aos que não comparecessem. Quem fará o papel de bedel daqui para a frente, a fim de apurar quem deixou de comparecer? Pode ser algum rotativo, hoje um secretário, amanhã outro e assim por diante.
Se houver essa ''filtragem'' o secretário ou auxiliar que a encarnar vai ter o ônus de operar como um ''patrulheiro'', expressão que não pega bem, da boca para fora pelo menos, em agrupamentos que se considerem de ''esquerda''. Aliás nesse tipo de foco o ''patrulheiro'' é sempre da direita e contra isso há uma espécie de corpo fechado, a postura sacramental.
Quando o governador, lá do Texas, desautorizou a diretoria da Copel a elevar as tarifas de energia, ninguém viu qualquer daqueles dirigentes constrangidos por aceitarem o ''pito'' e, consequentemente, haverem feito uma espécie de purgação de culpas, uma vez que não pediram demissão. A penitência está na própria ''babada'' já ocorrida anteriormente atingindo outros auxiliares.
Já existe um folclore em torno de governantes impacientes. Dizem que havia um dos servidores de Ney Braga que ficava frustrado quando o governador não arremessava algum objeto em sua direção como desagrado. Outros eram tão ligados nas artes do aulicismo e da bajulação que revelavam surpreendente forma de reagir a uma censura. Num dia, consta a lenda, o governador deu um pontapé no trazeiro de um deles e quando se pensava que o agredido cairia em profunda depressão ele revelou a força da sua arte segredando ao ouvido de Sua Excelência: ''olha governador o senhor está com uma canhota mais forte e com mais precisão do que a do Rivelino''!
BIZARRICE Com as encenações da peça sobre a Boca Maldita quem pintou no teatro foi o irmão do Esmaga, o Alvino Cruz. O Esmaga, pelas artes do Norton Macedo, era funcionário do Guairão, mas criou tanto problema que o ''exilaram'' em Morretes. Ele ficava na porta do Bar Barril, ponto de ônibus e de parada obrigatória nos tempos em que a ligação era pela Graciosa e depois retomava a Br 277. Meteu-se tanto na intimidade da cidade e como era tratado com máxima distinção pelo governador, secretários de Estado e parlamentares, que por lá passavam, que a cidade passou a ver nele uma espécie de ouvidor do palácio e só houve tranquilidade quando o Esmaga voltou a dar ''mordidas'' na Boca Maldita em Curitiba. Para compensar o relatório oral, com exageros de praxe, que trouxe do litoral, dava para uma enciclopédia.
FOLCLORE Há gente em Campo Largo ''vitaminando'' sua candidatura em cima do episódio das orgias com menores. Dá para lembrar do esforço inútil do secretário Favetti, da Segurança, que era candidato a deputado federal, no primeiro governo Requião de tentar tirar partido político das ''bruxas'' de Guaratuba. Apesar de ser um homem de elite da Polícia Federal perdeu-se quando afirmou que se a Justiça desse ''habeas corpus'' aos indiciados ele os entregaria em praça pública. É mais uma evidência de que o emocional é transitório demais para dar consistência a ações políticas.





