LUIZ GERALDO MAZZA
O chio de Londrina
Embora discorde da forma como proliferam no País as regiões metropolitanas e entenda que a classificação inicial que só incluia Curitiba e a chamada Metrópole Linear do Norte era melhor dimensionada, acho justíssimo o chio do segundo maior pólo urbano do Paraná pelo fato de nada lhe ter sido concedido, em termos de recursos orçamentários. Não é possível falar de integração físico-territorial e cultural do estado se se dá tudo à Região Metropolitana de Curitiba e absolutamente nada a de Londrina.
Esclareça-se que nem sempre aceito as razões elencadas por londrinenses seja em matéria cultural, esportiva ou política nas suas tensões com a Capital, o que não é de hoje e se dava, com regularidade, nos tempos pioneiros. Munhoz da Rocha, ao tocar as obras do Centenário, 50 anos passados, valeu-se de um símbolo para sugerir que não estava apenas consolidando Curitiba com o Centro Cívico, Teatro Guaíra, Biblioteca Pública na condição de núcleo decisório da política: além da infra-estrutura, que ia sendo moldada das ligações com o norte, atendidas precariamente pela Rodovia do Cerne, botou asfalto entre Londrina e hoje duas cidades importantes do colar metropolitano, Cambé e Ibiporã. E, destaque-se, o asfalto, à essa época, era importado, já que a Petrobras apenas engatinhava.
EMULAÇÃO RACIONAL Claro que uma certa dose de emulação entre Curitiba e Londrina é saudável, pois superamos aquela fase em que no setentrião brigava-se abertamente pelo Estado do Paranapanema e chamava-se o resto de Paraná Pamonha. Londrina, mais do que Curitiba, foi o pólo da resistência política e que trouxe o primeiro e em seguida o segundo governante de oposição, depois de transformar a sua prefeitura no bastião máximo dessa arregimentação.
A visão geopolítica do governo é distorcida: ao mesmo tempo que se acha capaz de transformar o Paraná numa ''ilha'' contra os transgênicos esnoba algumas das pretensões mínimas de Londrina como a de um acerto mais razoável com a Sanepar, cujo convênio será renovado. Se existe um mínimo de política urbana e de planejamento (atenção Renato Adur e dona Eleonora Fruet) não há o que justifique o tratamento desigual, mesmo que se alegue um possível ainda não amadurecimento da experiência metropolitana ao norte, concedendo R$ 100 milhões à Capital e nada à Londrina.
GEOPOLÍTICA PERVERSA Desdenhar a importância da conurbação metropolitana ao norte e visível em várias patologias como a da violência, incrementada pela ineficiência do aparato de segurança, ou nos dramas sociais da saúde, da degradação da rede hospitalar, especialmente UTIs, e da vulnerabilidade extrema a doenças resultantes do mau cuidado com ações profiláticas e ambientais, como se viu no surto da dengue, é inaceitável. Aliás destaque-se a postura das lideranças de Londrina, especialmente no engajamento crítico, como a de André Vargas que não se conforma com o fato de não haver dotações, até mesmo em diretrizes do Plano Plurianual, previsíveis ao ano de 2007. Isso chega a parecer provocação e nessas paradas era de esperar-se uma ação monolítica de londrinenses, incluindo aí o secretário Luiz Eduardo Cheida, que sabe, por ter sido prefeito, o traço de relevância da matéria, isso sem falar que tem fundas correlações com o meio ambiente, a sua praia.





