Perdas & ganhos
Passados 10 meses de governo Requião é hora de verificar os ganhos, se é que ocorreram (fora aquele das medidas de estímulo fiscal para aumentar a nossa capacidade concorrencial e gerar empregos na pequena e microempresa) e também, logicamente, as perdas. Dá só para uma imaginação prévia, cálculo ainda impreciso, uma vez que dezenas de contratos rescindidos podem redundar, em alguns casos, em indenizações pesadas. Empresas desistiram de aqui permanecer e projetos foram abandonados como o da ampliação do aeroporto Afonso Pena, sob alegação de falta de regras claras, o que também o primeiro ministro Aznar, da Espanha, reclamou ao presidente Lula. Por sinal que os espanhóis são os donos do ''know how'' e sócios do Terminal de Contêineres de Paranaguá.
A oposição quer examinar no Legislativo o tema dos efeitos imediatos e os mediatos em torno da cruzada contra os transgênicos que coloca sob risco os fundamentos de acordos regionais ligados ao Mercosul e expõe o terminal de Paranaguá à possibilidade de abandono por parte dos operadores. Não há país e muito menos um estado que viva em permanente sobressalto como se dá aqui.
Algumas das iniciativas como a da guerra ao pedágio se mostraram frágeis com o passar do tempo e geraram um clima de profunda frustração porque apoiada pela esmagadora maioria da população, embora não tivesse um compromisso muito forte com a realidade. Essa interdição aos transgênicos, a despeito da lei que Lula deseja ver aprovada e que busca a conciliação de interesses entre mercado e ecologia, e que está programada para ser alterada pela bancada ruralista, com todo o mundo fingindo que não sabe, pode e deve redundar em prejuízos.
Quando o parâmetro de governo é cartesiano como o visível nas medidas fiscais adotadas pelo tributarista Heron Arzua, secretário da Fazenda, o resultado é tranquilo porque aí não há lugar para a excitação e o passionalismo. Já nos havidos com a Segurança (hoje o maior problema do Paraná sem que se divise a mínima hipótese de uma reversão) e o do pedágio ou dos transgênicos prevalece o emocional e nessa hipótese a carga de riscos sempre aumenta. A fronteira entre a glória e a anedota pode ser mais tênue do que se imagina.
BIZARRICE Há uma anedota clássica que assenta como luva com o que ocorre no Paraná: um chacreiro descobriu que estavam roubando suas melancias. Botou uma placa ''envenenei uma melancia''. No dia seguinte foi lá e havia uma outra placa: ''eu envenei outra''. Muito parecido com o caso da mistura da soja no porto como um assessor da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, havia previsto.
AXIOMA No PMDB os candidatos melhor colocados no Ibope são Ângelo Vanhoni, PT, e Rafael Greca, PFL arrependido. Fruet está com a metade dos pontos de Greca.
GLOSA Aí o mestre voltou a doutrinar: por favor não confundam quadrúmanos com quadros humanos que são valores diferentes. É verdade que alguns quadros humanos também têm quatro mãos na ânsia de arrebatar. Aí acabam quadrúmanos, ainda que de forma alegórica.
EPIGRAMA De grão em grão a galinha enche o papo, mas classificar soja, de grão em grão, aí positivamente enche o saco.
FOLCLORE Num porto como o de Paranaguá, onde servidores fazem funcionar uma indústria de questões trabalhistas que pode dar um tombo de R$ 300 milhões de uma só tacada por descuido gerencial, em que mais de 30 contêineres desaparecem como acionados por um mágico, é de imaginar-se que misturar soja transgênica à natural é bem mais fácil.

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