Candidatura própria
O PMDB teve candidatura própria com Ulysses Guimarães e depois com Quércia (que derrotara Requião nas prévias) para a presidência da República e dançou. Em Curitiba historicamente a candidatura própria foi esmagada, duas vezes com Maurício Fruet, diante de Lerner, uma delas a dos 12 dias e depois com Max Rosenmann (quanto mais atacava maior era a rejeição) e também, mais recente, com Maurício Requião. Quando levou, tanto na presidência quanto na Prefeitura de Curitiba, o candidato não era dele. Venceu uma, a de 1985, com Requião carregado às costas, como um menino Jesus via São Cristóvão, por Richa que era governador e apoiado por outro peemedebista que o sucederia, o senador Alvaro Dias, quando o partido, em função do Plano Cruzado, deitaria e rolaria.
No imaginário do PMDB há mais derrota do que vitória. Mesmo a de Requião para o governo não aconteceria não houvesse a jogada do candidato em ficar com Lula já no primeiro turno, algo muito parecido com aquela de Ney Braga em 1960 quando do ''slogan'' vitorioso e convincente ''quem é Ney é Jânio, quem é Jânio é Ney''. Os petistas e outros aliados, mas especialmente os primeiros e com a alavancagem de Lula, deram a vitória ao PMDB.
Como quem foi mordido de cobra tem medo de mangueira, defensores da aliança com o PT se valeram do argumento para dominar o diretório municipal para o qual o chefe máximo já alertou que lá na frente as circunstâncias poderão obrigar à mudança de rumo. A pendência vai para o tapetão, embora seja de esperar-se que a contagem de votos privilegie a dupla Doático-Maurício muito identificada com as passeatas, pressões, enfim a velha liturgia populista.
Percebe-se a incapacidade de os dois grupos traduzirem em boa doutrina, com pinceladas de epistemologia, algo que não se limite ao mandonismo, a uma visão um tanto quanto personalista e desviada do sentido agregador da comunhão. De um modo geral nem o PT, nosso melhor partido, escapa desse enquadramento no espírito do golpe e, especialmente, no culto à personalidade.
Assim o embate que poderia enriquecer a experiência partidária vai justamente expor a sua pobreza, seu não ajuste à inteligência.
A SOJA O fato óbvio de a soja paraguaia ser transgênica, o que todos já sabiam, acirrou discriminações e caricaturas com os vizinhos com referências à certificação do uísque lá vendido. É lastimável que de repente esse episódio signifique um corte num intercâmbio que começa com Manoel Ribas quando trouxe órfãos da Guerra do Chaco para o Paraná (figuras de realce cultural e social) e tem continuidade com o tratado que deu origem ao Porto Livre daquele país em Paranaguá e que pode ser apontado como o embrião de obras como a Ponte da Amizade e o Tratado da Binacional de Itaipu.
Se a contenda não for conduzida com um mínimo de competência e concessão demais ao espetáculo teremos, como corolário, problemas diplomáticos.
FOLCLORE A Internacional Socialista faz lembrar uma piada que se fazia ao PSB (de João Mangabeira, o sério), segundo a qual seria tão cheio de filigranas que lembraria a ala feminina do Partido Comunista. Esse tipo de metáfora não se aplicaria aos dias de hoje por seu caráter mais machista do que marxista.

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