LUIZ GERALDO MAZZA
Sedução do autoritarismo
A convenção dos diretórios municipais do PMDB vai exibir, uma vez mais, a nossa forte vocação para o autoritarismo disfarçado de democracia. Partidos são a maior evidência desse poder concentrado, uma versão a mais daquilo que bem define o caráter macunaímico nacional: o cartório, o feudo. Impugnações de chapas, o desequilíbrio pela força das hegemonias não lastreadas no eleitorado e, sim, no partido, cujo efetivo pode ser reduzido de 20 mil a 3 mil votos como se nesse nanismo houvesse uma restauração saneadora.
Claro que nos municípios fortes como os de Curitiba e Londrina corre-se o risco das maiores deformações e quebra de respeito às regras do jogo. De pouco vale, por exemplo, o que dizem as pesquisas. É verdade que no caso do PMDB da Capital a posição de Gustavo Fruet não está bem lastreada, até porque o Ibope o aponta com cinco pontos contra oito de Rafael Greca. Quando Requião em 1985 enfrentou Lerner as primeiras sondagens lhe davam cinco pontos contra 67.
Quem controla no Paraná o PMDB com mão de ferro é o governador. E embora dissimule um ''distanciamento'' da competição interna pelo fato de achar que é prematuro colocar posicionamentos sobre a sucessão de 2004 sugere que a existência de emulação entre duas chapas é vitalidade e democracia. Já em outra convenção botou todo o peso da sua condição de senador e líder maior para impor o seu irmão, Maurício, como candidato contra Fruet. Requião não transfere prestígio, jamais elegeu sucessores e nem emplacou a reeleição do seu irmão como deputado bem como não teve como impedir que dois manos se dispersassem numa disputa pela Prefeitura de Curitiba.
A convenção de Curitiba pode drenar para o tapetão, o que seria ainda maior fator de desgaste e aí evidência de que o governador teria perdido o controle do processo sucessório.
BIZARRICE O Ibope sugeriu que quem defende mais os ricos é Greca e também (talvez por isso mesmo) lidera a rejeição com 35%.
AXIOMA Vanhoni tem 22% das intenções de votos, mas perdeu posição em relação à pesquisa anterior. Possivelmente decorre da condição de líder do governo.
GLOSA Vanhoni, 22, Beto Richa, 10, Mauro Moraes, 9, Greca, 8, Luiz Carlos Martins e Ratinho Júnior, 7, Fruet, 5, Rubens Bueno, 4, Doutor Rosinha, 2, Ney Leprevost, Marcos Isfer, Luciano Ducci, Bertoldi, 1. Tudo isso perde o sentido quando se percebe que na espontânea 85% dos ouvidos disseram não ter candidato.
EPIGRAMA Quem está festejando a pesquisa é Mauro Moraes, fortalecido agora pela independência do PL, ainda que não a desejasse. Das oito regiões em que foi dividida Curitiba, supera Vanhoni em três. No Bairro Novo, Pinheirinho e Boqueirão ele fez mais votos do que Vanhoni também para deputado.
BALANÇO Entrevista de Paulo Bernardo ao ''Caderno de Idéias'' dizendo que o candidato ao governo pelo PT é Samek beneficiou o grupo que defende a candidatura própria no PMDB, mas a pesquisa Ibope deu razão aos que desejam a aproximação com Vanhoni, porque obviamente não se ajustariam a Rafael Greca.
FOLCLORE Na convenção do PMDB chute na canela não é golpe proibido e não há clima para inocência e ingenuidade. Será uma guerra com todos os seus humores e especialmente os horrores.





