LUIZ GERALDO MAZZA
Um Estado policial?
Vejam a ironia: com essas ações contra a soja transgênica, o Paraná está assumindo os contornos claríssimos de um Estado policial. Divisas bloqueadas e até fronteiras sob ameaça podem, de repente, paralisar o sistema viário no Cone Sul. Dá para lembrar dos esforços de vários governos, incluindo o primeiro de Requião, na construção do sistema de pontes sobre o rio Paraná para assegurar a Mato Grosso do Sul o acesso ao terminal portuário de Paranaguá, tudo isso perdendo o sentido agora em torno dessa cruzada muito mais ideológica do que científica e técnica. Curiosamente, apesar disso tudo, somos um dos estados brasileiros com os maiores índices de violência justamente por falta de polícia, posto que eficiente em fechar bingos.
Não consta que se faça uma campanha tão orquestrada contra o tráfico de armas e de drogas. E a certeza é tamanha em torno dessa omissão que gangues usam uniformes da Polícia Militar, como tem acontecido, para assaltos, cada vez mais ousados, contra os sacoleiros que fazem a operação ''formiguinha'' junto à tríplice fronteira.
Embora a gravidade da situação torne um exercício de mau gosto fazer piada a respeito é o caso de saber-se se as drogas, como a maconha e a cocaína, que até estão sendo combatidas na escala possível pelo governo, caso tivessem origem em organismos geneticamente modificados, mereceriam mais ênfase. Como ensinava Moliere o riso, mesmo quando amargo e discreto, castiga os costumes.
FÊNIX & AS GALINHAS - Em matéria de efabulação já se opôs a águia, um símbolo forte, totem de muitos países, à galinha para contrastar a domesticidade de um nos limites do galinheiro e a aura épica do outro a adejar no espaço. Na mais recente ocorrência do futebol brasileiro, que contou com o poder multiplicador das imagens repetidas à exaustão, assistimos a metáfora das seis galinhas lançadas ao campo de treinamento do Fluminense para caricaturar os jogadores e em especial o Romário.
Parece que a galinha no caso acabou se travestindo de outra ave-totem, a da mitologia, a Fênix, capaz de ressurgir das próprias cinzas. E foi o que se deu: o incidente, seguido das agressões de Romário e assessores contra o torcedor inconformado, em lugar de levar o time à depressão, se é que no fosso em que se encontrava havia lugar para ''respiro'', acabou criando condições para a recuperação do clube e do seu ponta-de-lança que marcou o gol da vitória contra o Corinthians e se livrou, ao menos momentaneamente, da zona de rebaixamento.
Pode-se sugerir que essa linha de tratamento estaria muito próxima da técnica do ''joelhaço'' do analista de Bagé e o próprio presidente do clube, o David Fischer, parece ter advinhado que a provocação e os incidentes, que se seguiram, serviram, claro, como uma terapia eficaz, ao mexer com a auto-estima dos atletas. Se o tricolor der vexame de novo reproduzirei o que Fernando Henrique Cardoso, presidente, dizia e que dentro em pouco Lula acabará, por certo, repetindo: ''Esqueçam o que eu disse''.
FOLCLORE - O PMDB deitava e rolava em cima das viagens de Lerner e não poupou nem a intimidade da festa de casamento da filha do governador em Nova York, divulgando as fitas no programa eleitoral. E quando saberemos quais os resultados das já inúmeras viagens do governador atual como aquela ao Texas, outra à Espanha, isso sem falar nas que estão por vir?





