LUIZ GERALDO MAZZA
Terra em transe (transa)
Ao lado das notícias de rotina, que revelam um Paraná diferenciado do resto do País e em função de que se trata de tradição, independentemente de governo, temos a catadupa de episódios como o do bloqueio dos caminhões para apurar se há circulação de soja transgênica ou as cenas circenses da CPI do Banestado, cujo tom inquisitorial chega a irritar. O cerco aos caminhões se funda nas frinchas da legislação federal confusa e da estadual radical, ainda incubada e por ser sancionada pelo governador, e, portanto, não vigente.
É cota demais à sociedade do espetáculo em cujo altar o nosso governador (e não apenas ele) é quase o sacerdote do templo. Prefere-se à concretude das coisas a abstração dos símbolos que vão do cerco ao bingo à pressão, até aqui inútil, contra o pedágio que dentro de um mês terá novo reajuste e que se for respondido com o bloqueio das praças pelos aliados do MST revelará apenas a incompatibilidade das ações paraoficiais, e de seus partidários camuflados, com a legalidade. Aposta-se mais no agito do que na solução.
Enquanto a economia paranaense, e seus fundamentos permanentes, surpreende o Brasil com o seu desempenho, a autoridade pública semeia ventos da tempestade que vai colher, ainda que muitos dos seus atos pareçam razoáveis e sérios. Da suposta e proclamada terra da transa (vide contratos rescindidos e que dentro em pouco a Justiça julgará) chega-se aos abalos sísmicos da terra em transe.
BIZARRICE O clima inquisitorial, observado em ações do Ministério Público (e por que o pessoal da área da Infância e da Adolescência de Londrina não censura o delegado que convocou para depor o menor que denunciou violência policial?), da polícia e agora da CPI do Banestado faz algo que nem nos IPMs do regime militar, pelo menos no início (eu sou testemunha disso), se poderia sequer imaginar.
AXIOMA Meleca no ventilador: Giovani Gionédis, formatador do modelo de leilão do Banestado, perdeu a paciência com o autoritarismo da CPI e entregou a assessoria do deputado-delegado Bradock como vendedora de títulos municipais. Gionédis suporta a moleza do atacante Lima no ''coxa'', mas não aguenta o Rambo. E agora a CPI vai apurar o que foi dito? E aquela sacanagem do recuo na CPI da Copel-Sercomtel será ou não apurada? Se não for, a CPI se desmoraliza.
GLOSA A fusão de jornais no Paraná ou é fissão nuclear ou ficção.
EPIGRAMA Paulo Bernardo, ponte entre o Paraná e Lula, na revista ''Caderno de Idéias'', diz que o candidato ao governo estadual é Samek. Um bom argumento para o PMDB pró-Fruet. Aliás, convenhamos, melhor que Samek só Osmar Dias.
VINHETA Nem o Lula, pelo jeito, segura as pesquisas. Mais dois meses e o seu Ibope estará igual ao de FHC quando saiu. E isso com melhora da economia e o anúncio da baixa de juros. Caiu sete pontos e não é conta de mentiroso.
FOLCLORE Projeto ''100% Litoral'' não dará nem 3% aos veranistas e nem 1% aos caiçaras. Um dos seus criadores, deputado Nelson Justus, prometeu duplicar a Garuva-Guaratuba e a reconstrução da área solapada da Vila de Guaratuba e isso quando detinha poder como secretário do Transporte.
CROMO Um dos seus cachos de cabelo, nos quais me agarro como aos fios de Ariadne, e me faço alquimista para o impossível sortilégio.
AFORÍSTICO A ditadura vivida nem sempre vacina contra a prepotência.





