Hora dos delírios

Na esteira do delírio de controlar os produtos transgênicos e não apenas a soja, conforme o artigo 5º da lei aprovada, há um outro: o de que poderíamos ter na China Continental um mercado cativo. Em pingue-pongue na TV Globo, o governador disse que certificar a soja geneticamente seria uma ''barbada'' para o Iapar e que não levaria mais que cinco minutos, o que o repórter contestou, com afirmações daquele centro técnico-científico, de que duraria, cada exame, no mínimo quatro dias.
Dá para imaginar o circo de uma fila de 100 kms de caminhões carregados, entre o litoral e o planalto, sendo inspecionados, um a um. O espetáculo parece mais sob inspiração cinemática do Jerry Lewis do que do Woody Allen.
O segundo delírio, o de fazer da China Vermelha um parceiro privilegiado sob a alegação de que opta pela soja natural, quando na verdade o que deseja é a simples certificação, passa por cima das relações tradicionais do complexo da oleaginosa, primeiro e absoluto item das exportações, menospreza a relevância das operações de mercado futuro nas bolsas, enfim algo sem nenhum compromisso mínimo com a realidade. Ou com o amor à estatização, cada vez mais na maré vazante da história, pretender-se-ia criar uma gigantesca ''trading'' para ''desburocratizar''. Nossos corredores de exportação, incluindo o terminal portuário, atrapalham demais, com seus custos e deficiências, as operações. Dá para imaginar como seria com essa ''Exporpar'' com seus trezentos operadores, todos indicados pela base aliada, cujos quadros são sabidamente generosos e competentes, e o Tribunal de Contas fungando na nuca da organização.
BIZARRICE Enquanto o ''coxa'' estiver perto de chegar à Libertadores de América, o Giovani Gionédis não precisa aparecer na CPI do Banestado.
AXIOMA Convenção do PMDB municipal é um empate nas más intenções, nada mais.
GLOSA O MST ganha do governo moratória para desocupar áreas invadidas e isso de forma voluntária. Já a moratória para baixar o pedágio tem obstáculo sério.
Num caso a vontade do governo prevalece para parecer politicamente correto. No outro os bloqueios da legalidade não podem ser contornados.
EPIGRAMA Por falar em adágio vem aí, fim de novembro, a alta do pedágio. E pega todo o mundo, logo em seguida, na descida para a praia.
FOLCLORE Quando se estranha o fato de a Polícia Militar não divulgar dados da estatística da violência no Paraná, que devem ter crescido muito, há quem lembre da declaração indiscreta, apanhada por antena parabólica e via satélite, do embaixador Rubens Ricupero que disse que as coisas ruins o governo esconde e as boas são divulgadas. Elementar, Maquiavel.
PARANISMO O jovem jurista e cientista político, Rafael Thomaz Favetti, assistente do ministro Sepúlveda Pertence do STF, lança, amanhã, na Biblioteca da Corte Suprema, 18h30, em Brasília, o livro ''Controle de Constitucionalidade e Política Fiscal''.

mockup