LUIZ GERALDO MAZZA
Testemunha oculta
Foi colocado mais um toque de mistério e suspense nos relatos a respeito da morte do Osvaldo Magalhães dos Santos: agora haveria uma testemunha, conforme relato atribuído ao deputado-delegado Bradock, que estaria operando em linhas de transmissão de energia da Copel e teria visto, quatro meses depois do acidente, a própria vítima nas imediações da chácara na Palmeira. Obviamente essa testemunha não deseja, pelo menos agora, identificar-se e como ela não o faz a referência passa a adensar o relatório de tudo aquilo, que por boato ou ouvir dizer, que justificaria a pretendida exumação, já feita pela CPI.
Embora as falhas periciais, como alguns estão justificando, se dariam em função da importância social e política da vítima com amigos e funcionários tentando abreviar procedimentos, agindo até com açodamento, para minorar os constrangimentos da família, o fato é que elas aumentam as suspeitas, o que não significa que sejam verdadeiras. A família, através do advogado Colaço, já se disse disposta a colaborar permitindo a exumação, mas prometendo, em troca, o processamento exemplar de todos os que exploraram a versão do embuste e da malícia, como tem acontecido.
UM RITUAL DE ERROS Como já tínhamos as falhas ritualísticas a ausência de exame da arcada dentária, a folha rasgada do registro do IML em Ponta Grossa e outras equivalentes como a não apuração das impressões digitais agora temos algo ajustável a um romance de Agatha Christie e a um filme de Hitchcock com esse ''depoimento'' de uma pessoa, que ninguém sabe de quem se trata, e que diz ter visto, enquanto reparava linhas da Copel em Palmeira, a vítima depois de quatro meses do tão polêmico e cada vez mais criativo e sombrio acidente.
O MITO E O FATO O Brasil é um país aberto à imaginação, às vezes mórbida, em casos de mortes estranhas de políticos de expressão. Tanto o acidente sofrido pelo presidente Costa e Silva como os havidos com o seu antecessor Castelo Branco (choque de aviões) e com Juscelino Kubitschek (desastre rodoviário) sofreram conotações interpretativas sinistras. Obviamente o jovem secretário de Esporte e Turismo e ex-presidente da Leasing Osvaldo Santos só entra nessa galeria por força das interpretações decorrentes de sua passagem, tumultuária, pelo Banestado e da aceleração da quebra do estabelecimento que seria, logo depois, saneado e vendido.
Também as mortes de Carlos Lacerda e Jango Goulart, pelo fato de terem bolado a ''Frente Ampla'' para restabelecer, o mais breve possível, a democracia no Brasil contaram com essa visão conspiratória, de assassinato, atentado, espionagem, sicários, mandantes, enfim todo o ''decor'' apropriado.
Tivemos no Paraná algumas mortes de políticos e administradores também cercadas dessa carga de mistério como as de Feres Abujamra, diretor do Acordo de Classificação (hoje Claspar), Jobar Cassou e Nelson Petchow, diretor do Banestado, todas no governo Paulo Pimentel, e a de Rubens Bailão Leite, mais tarde, e que foi também integrante daquela gestão. A condição de agentes da cena política, mais do que evidências periciais, é que facilitou os mais absurdos e policialescos enredos em torno das ocorrências.
GETÚLIO Dentre as tragédias nacionais uma que pelo impacto seria impossível maximizar está a do suicídio de Getúlio Vargas pelo traço épico do ato, em que havia revanche para liquidar seus adversários de forma categórica, e em que não houve lugar para interpretação diversionista como a de assassinato.





