LUIZ GERALDO MAZZA
A mediocridade expressa
A forma como está sendo conduzido o processo de renovação do diretório municipal (Curitiba) do PMDB é a mais eloquente mostra das razões pelas quais o Paraná não tem credibilidade nacional. É um caso de mediocridade, de ausência de horizontes, de mesquinharia.
Como é que numa Capital de estado, que se acredita um dos mais evoluídos do País, ocorre um episódio desses num momento em que a sociedade pede, mais do que nunca, democracia e há a resposta do autoritarismo? Ao final da disputa dir-se-á que havia duas bandeiras colocadas e que, portanto, o ''plenário'' decidiu soberanamente. Em termos de cultura política o que restou de todo esse entredevoramento: nada que apontasse para um caminho mais aberto de examinar as opções, já que eleições em dois turnos foram feitas justamente para que estabelecidos os finalistas as agremiações buscassem, no livre jogo dos seus interesses, as afinidades, os acertos, para a composição dessa convergência de forças.
Convenhamos que dos dois lados a doutrina é pobre e o padrão de discurso das facções aprofunda a visão negativa da qualidade de política que se pratica. O governador, por suas declaradas e repetidas intenções de ser presidente da República (a primeira perdeu nas prévias do PMDB de forma acachapante para Orestes Quércia) e por seu histórico de ''guerreiro'' dentro do partido, do qual chegou a ser expulso por suas posições e ainda recentemente por dirigir uma dissenção a favor de Lula em convenção nacional, não pode adotar posição que não seja a da candidatura própria, tanto em Curitiba como nos demais colégios eleitorais de porte como Londrina, Maringá, Ponta Grossa, justamente aqueles hoje sob domínio petista. Aliança não se confunde com deserção.
Se adotar linha de omissão ou neutralidade, face a grupos do PMDB que desejam o apoio imediato ao PT, terá queimado todo o histórico de resistência que fixou em relação às facções dominantes do partido em nível nacional. A forma, também, como se alinham as duas chapas nominando-se em homenagem ao governador completa o quadro de dissimulação e de ausência de horizontes e ausência de um mínimo sinal de auto-estima. E obediência dos dois lados é terrível porque acaba reafirmando a noção do poder hegemônico que merece críticas.
BIZARRICE - O semanário Hora H, na computação gráfica, botou, na capa, a face de Requião em nada mais nada menos do que a Estátua da Liberdade para promover o ''Luz Fraterna'' da Copel. Muitos acharam que a estátua era das Lojas Havan, o que seria uma forma tortuosa de lembrar a capital cubana.
AXIOMA - Na greve bancária, especialmente a do Banco do Brasil, um repique pelas hostilidades sofridas na batalha da previdência. A da Caixa Econômica também.
FOLCLORE - Se persistir o radicalismo contra o jogo (apesar da ordem de Requião a Pimba e a Roda da Sorte continuavam sendo operadas pela Lotopar) acabam com o jogo de porrinha (palitos) na Boca Maldita. Poderiam ir ao extremo de remover o Homem Nu, símbolo do paranaense, na Praça 19 de Dezembro, sob o fundamento de que por ter as mãos fechadas nas costas tem todo o jeitão de um compulsivo jogador de palitos.
AFORÍSTICO - Órgãos municipais (Diretran e Urbs) sob fogo da opinião pública: em ambos a vulnerabilidade da fiscalização e o predomínio da fúria de multar.





