LUIZ GERALDO MAZZA
Divisor de águas
Infelizmente são poucos os auxiliares do governo Requião com personalidade para contestá-lo, quer no dia a dia, quer especialmente na sabatina das segundas-feiras. Até agora, embora outros o tenham feito de forma sutil, ninguém foi tão claro como o dirigente da Sanepar, Caio Brandão. Em primeiro lugar deixou patente que na estatal, que é modelo, hoje e sempre, o dado populista da água a custo zero para os excluídos não é prioridade, além de esclarecer que esse tipo de concessão tem um custo que caberia ao Estado bancar, via subsídio, para não haver desequilíbrio financeiro. Lembrou também, e com muita propriedade, que há questões mais urgentes como os investimentos e ainda a ameaça de ruptura dos convênios nos municípios.
Muito mais rápido do que se poderia esperar Andirá decidiu romper o acordo com a estatal e assumir os serviços. O governador pode fazê-lo e o demonstrou em várias oportunidades o pedágio, parcerias da Copel, da informática etc e os prefeitos também têm esse direito de atuar no plano emocional. Afinal 2004 está aí e teremos eleições.
Não faz muito tempo, Londrina, alegando que Curitiba teve tratamento especial do governo passado na renovação do acordo, ameaçou também rompê-lo, a não ser que merecesse regalias semelhantes às da Capital. E se a coisa pegar, até porque é matéria de fácil combustão político-eleitoral, outros entrarão na onda e o aperto em matéria de investimentos na Sanepar será ainda mais severo.
Se a Copel tivesse hoje um comando do estilo Parigot de Souza ela também reclamaria, no mínimo, que se fizesse um estudo sério do impacto no faturamento das isenções desejadas pelo governador e compromisso de honra de campanha eleitoral, traduzido no ''Luz Fraterna'', nome de centro espírita. Como os dirigentes da empresa aceitaram, calados, o puxão de orelhas que levaram do governador quando anunciaram aumento de tarifas, revogando-o e lá do Texas, dá para entender que não teriam as mínimas condições de colocar o contraditório diante das posições imperiais de Requião.
Pena que os exemplos de disposição para o diálogo se limitem a poucos como o Caio Brandão e o secretário da Fazenda, Heron Arzua, embora este prefira o estilo discreto e drible o conflito pelo domínio que tem do tema tributário.
BIZARRICE A lei votada no Legislativo estadual impede a circulação no Paraná de transgênicos e o faz de forma genérica, não se referindo à soja e aos alimentos. Assim os portadores de diabetes estão condenados a não utilizar a insulina geneticamente modificada. Isso sem falar na vacina contra a hepatite B, de Cuba, e mais ainda marcas de ketchup, mostarda, óleo de canola, tomates, batatas fritas, leite de soja (algumas marcas). É de lascar.
Vejam ao que leva a burrice da satanização ideológica. A posição do governador não é burra: pede o bloqueio à soja GM por motivo mercadológico, de difícil viabilização, mas aceitável sob o ponto de vista da racionalidade.
CENTRO Quanto mais se fala em revitalização do centro (e isso se deu também na gestão de Requião em 1986) da Capital mais ele se degrada. O problema não pode ser olhado apenas pelo foco dos comerciantes. Por sinal que a Rua XV é o paraíso dos artigos de R$ 1,99 e isso, de saída, mostra o quanto o ágil empresariado contribuiu para esse tipo de caos.





