LUIZ GERALDO MAZZA
Porto inseguro
Um dos orgulhos do Paraná era o fato de o seu terminal de Paranaguá, Porto D. Pedro IIº, ser o primeiro em divisas líquidas do País. Publicitário é assim mesmo: transforma um fato negativo (afinal nas economias modernas e complexas, ao lado da exportação, é indispensável expressão nas importações) em elemento a mais de triunfalismo.
Hoje o nosso desempenho, em razão da dinâmica da economia e especialmente dos feitos do agronegócio, mantém esse realce nas exportações, agora, porém, com destaque nas importações. Basta dizer que a baixa nacionalização das nossas montadoras faz com que esse item, o das peças e componentes, apareça como um dos principais da importação. Aliás no noticiário do governo passado era comum evidenciar-se o detalhe de que motores e automóveis apareceriam nas exportações sem revelar a contrapartida, fortíssima, das importações.
FEITOS & DEFEITOS Apesar igualmente do avanço tecnológico do terminal que, ao longo do tempo, teve que ajustar-se aos ciclos da economia, primeiro com mate e madeira, depois com café e na fase atual com os granéis, continua com problemas graves de gestão, como se vê na indústria das ações trabalhistas e desvios até de contêineres. Assim mesmo a movimentação de importações da Petrobras tem permitido o equilíbrio do caixa fazendário na atual conjuntura.
O governo estadual está anunciando junto ao Sindicato dos Arrumadores dispor-se a um acordo de pagar 13% de R$ 160 milhões de sentença favorável quando há uma ação rescisória da gestão passada para anular o decisório em função de erros essenciais de Direito. E se a rescisória emplacar, como é que fica? Não deixa de ser estranho se houver assentimento do sindicato que uma demanda de R$ 160 milhões, com sentença favorável, caia para pouco mais de R$ 20 milhões.
O porto deixa muito a desejar, apesar da privatização, em muitos aspectos: navios com fertilizantes chegam a ficar ao largo mais de 30 dias por falta de condições de atracação; o desaparecimento de mais de 30 contêineres, alguns de fitas virgens de CD, o que é altamente suspeito, é algo bem pior do que as queixas quanto às condições de exportação de soja com as filas ligando praticamente o litoral ao planalto na BR-277.
UM DELÍRIO Nos anos 40 um incêndio nas instalações portuárias levou semanas para ser controlado e ainda no primeiro governo Requião a explosão do silão com a morte de um dos seus operadores. Dá para imaginar a tragédia que seria nas condições de equipamento de hoje, mormente na área de combustíveis. Como se não bastassem todos esses problemas ainda se fala num porto particular em Pontal do Paraná (Ponta do Poço), um delírio porque exigiria todo um complexo viário (obras de arte na transposição de rios) para permitir a chegada de caminhões pesados ao local e numa diretriz que certamente provocaria os ânimos de ambientalistas, quem sabe até do ''Greenpeace'', por detonar reservas de manguezais e restingas, vegetação peculiar, e ainda a um custo piramidal, que, por si só, o inviabiliza.
Outra questão relevante é a inexistência de um plano diretor portuário e que respeite o existente da cidade de Paranaguá em que está instalado. Cito sempre o exemplo de Itajaí, Santa Catarina, que soube separar, com muita competência e engenharia de sintonia fina, as malhas urbana e portuária e com um sistema viário sem o primarismo do existente em nosso terminal, algo que lembra vasos comunicantes que não conflitam.





