A pressão legítima

Se é legítimo, embora não legal, fazer invasões de terras pelo MST com o objetivo de acelerar a reforma agrária não deixa de ser aceitável, desde que observados mínimos padrões de respeito, o esforço que o governador Roberto Requião faz para rever atos da gestão anterior e dirigidos a empresas que deles usufruíram. Insere-se aí a questão das montadoras, como foi proclamado em artigo assinado pelo governador e se escudando nas razões logísticas da malha produtiva, especialmente produtores de peças e acessórios, a que tanto fazia referência Jaime Lerner. Se efetivamente a taxa de nacionalização é de pouco mais de 2% estamos diante de um escândalo que vale denunciar e fazer um esforço para reverter.
O que o governador não pode é, no calor da paixão, fazer afirmações como a pronunciada sobre o pedágio no sentido de que baixava ou acabava. Não baixou, nem acabou e já estamos fechando mais de um terço do décimo mês de gestão e de indigestão, tantas são as bravatas, de lado a lado, como a imprudente revelação do cartel de empreiteiras sobre o laudo da Fundação Getúlio Vargas e que era protegido por uma cláusula de confidencialidade, claramente burlada. Gerar expectativas que se sabe de difícil cumprimento leva à frustração e, em consequência, à apatia, o que é péssimo para a participação cívica.
Há uma pauta enorme à frente do governo que começa com o pedágio, passa pelos contratos rescindidos, chega nessa inocuidade que é o bingo (a União que tem a competência originária vai retomá-la, como deseja Lula), aflora na questão dos transgênicos em que a resistência é baseada em razão de mercado e não nas habituais e preconceituosas alegações supostamente ambientalistas e atinge, por exemplo, a revisão contratual do que houve na passagem do Banestado ao Itaú. Há quem veja ampla possibilidade de o complexo financeiro fazer concessões importantes como a devolução de edificações, incluindo a do Santa Cândida, cedida em comodato e abrir outras compensações.
Enfim se o exercício da pressão, bem articulada e com senso de dosagem, der resultados não haverá um só paranaense que não a apóie. Porém se tudo não passar de discurseira para alimentar um permanente conflito, o resultado será ruim não apenas para o governador e sim para todos.
O MISSIVISTA - Estão na moda de novo as cartas anônimas de fundo político. E há também as feitas abertamente como as do empresário Guilhobel Camargo para o governador. A mais recente foi uma sobre a Copel em que Guilhobel se declara proprietário de 2.000 ações (no valor de R$ 18) e preocupado porque a empresa cedeu equipamento de TV para a Educativa.
No governo Lupion, o segundo, o advogado Rubens Requião, na condição de acionista minoritário, provocou a derrubada do presidente da Copel, nada mais nada menos do que o José, irmão de Moisés.
Quanto às anônimas há distribuição de certidões de processos cíveis e criminais de figuras do governo e que extrapolam o ambiente regional, muitas vezes alimentadas por grupos rivais da própria administração. São mais visados os titulares de órgãos com mais acesso de público.
COLONO - A resistência ao fechamento da Estrada do Colono vai continuar e Osmar Dias, senador, tem projeto conciliatório para atender pequenos produtores e baixar a escala, em peso e frequência, do tráfego. A balsa, símbolo do retorno, dificilmente escapa da queima.

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