Tentativas presidenciais
Nos últimos 50 anos não foram poucas as tentativas de paranaenses visando a presidência (ou vice) da República. A primeira foi a de Munhoz da Rocha que conseguiu, com sua postulação, afinal não consumada, recolocar o Paraná no primeiro escalão federal, com seu cunhado Aramis Atayde na pasta da Saúde e, em seguida, com ele próprio na Agricultura. Depois tivemos as de Ney Braga que ficou também em hipótese, ainda que tenha feito mais votos regionais do que Costa e Silva em convenção da Arena, o que não deixou de ser um ato de coragem e que o colocou no meio militar como ligado aos ''pombos'' e não aos ''falcões'' e se reafirmaria, primeiro no ciclo de Castelo Branco e depois no de Ernesto Geisel, em cujos períodos o Paraná teve forte influência.
Em tempos mais recentes houve, ainda, as ações de Alvaro Dias que ficou em quarto e último lugar na convenção do PMDB, seguida de sua omissão diante da chapa vitoriosa Ulysses Guimarães-Valdir Pires, e a de Requião em obstinada contestação a Orestes Quércia, cuja banda de música tentou expulsá-lo do partido, e igualmente derrotada numa prévia em que não teve os votos esperados no Paraná e que atribui ao trabalho de Mário Pereira. Requião, da mesma forma que Alvaro, não teve participação na campanha do vitorioso das prévias. No caso ambos evitaram os possíveis desgastes que sofreriam com o pífio desempenho dos escolhidos, mas se ''lixaram'' para aquele discurso, meio maroto, da unidade partidária.
Tanto Requião quanto Alvaro, que souberam explorar como senadores as CPIs dos Precatórios e do Futebol, apesar dos seus efeitos poucos práticos e apenas abrasivos no campo das denúncias, não devem ter desistido da idéia. O grupo mais próximo do governador sugere que a escalada nessa direção está operando e que iniciativas contestatórias como a de rescindir contratos, especialmente o do pedágio, a de fazer uma ''ilha'' no Paraná contra os transgênicos e ainda a de resistir contra a desverticalização da Copel se inserem no processo.
Quem teve mais condições e que as dispersou com prodigalidade foi Jaime Lerner. É importante, mesmo que as condições sejam adversas, que figuras do Paraná participem do cenário nacional ou, na pior das hipóteses, que sejam interlocutores do poder central. Pegaria mal para Requião se ele, com essa idéia na cabeça, deixasse de defender candidaturas do seu partido, o PMDB, para as prefeituras de Curitiba, Londrina e Maringá em nome da fidelidade à aliança com o PT. O PMDB é maior, tem mais potencial e não ficaria bem, para quem o dirige de forma imperial, subordinar-se ao PT. Seria o acessório sobrepujando o principal.

ESPANTALHO - Pelo menos em duas publicações fizeram caricatura de Requião como um espantalho: na revista ''Caderno de Idéias'' ele apareceu, em charge do Paixão, como quem expulsa os dólares de investimentos e agora no semanário ''Hora H'', em montagem do Simon Taylor, de primeira página, é o resistente aos transgênicos. Na semana atraiu investimentos, ao menos na aparência, com a visita dos monarcas da Noruega que têm aplicações importantes no Paraná como a Norske, fábrica de papel que entrou em lugar da Pisa em Jaguariaíva e inaugurou ontem a Perkins, fábrica de motores que substituiu a Detroit na Cidade Industrial. Da qual tirava sarro no passado chamando-a de campo de golfe das multinacionais. Por sinal que empresários de lá o homenagearam como ''personalidade AECIC'' do ano.
Quem espanta acaba também atraindo, como sugere a dialética.

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