Perda de representatividade

Duas mortes recentes a do Carvalhinho e a de Martinez desfalcam o Paraná das suas maiores expressões no setor empresarial e no político. A autofagia militante da terra tem se incumbido, no regougar da maledicência, em tentar, pela caricatura e o exercício da inveja, em minimizar essas perdas.
Quando se diz que eram no campo das entidades classistas e no da atividade política as figuras mais fortes não se está, de forma alguma, entrando no exame de subjetividades como o das circunstâncias que os favoreceram ou dos seus defeitos, que afinal todos os têm, mas examinando algo de claramente objetivo nos papéis que exerciam. Por mais de uma vez destaquei o fato elementar de José Carlos Martinez ser a mais destacada figura política do Paraná por uma razão elementar, a de presidir um partido com 55 deputados e com expressão muito forte nas reformas tangidas por Lula.
Nessa apreciação não entra também a questão do talento pessoal, das condições culturais e éticas de cada um, mas sim a situação de atores de um processo e, é claro, do respectivo desempenho. Às vezes isso vale mais do que um posto ministerial pela densidade que o espaço de interlocutor nacional possibilita. Nosso derradeiro ministro foi Rafael Greca e hoje no espaço administrativo o foco maior é sobre Jorge Miguel Samek na Binacional de Itaipu.
Às vezes essa expressão, que vem do setor privado e do classismo, como se deu com Carvalhinho, ou da delegação partidária, no caso do ex-presidente do PTB, facilita a construção de um clima que pode ter influído poderosamente na designação, e aí com os máximos méritos à indicada e aos esforços de vários setores sociais, da desembargadora Denise Arruda para compor o STJ e que pode estar presente em outros ganhos. Não basta, como se viu quando da tentativa de emplacar gente nossa no STF, fazer listagens e pressões, às vezes exageradas como ocorreu, e sim ter um ''background'' que facilite a circulação das nossas reivindicações não apenas personalizadas e que também visem o conjunto. Para tanto precisamos melhorar o nosso nível de credibilidade nacional.
BIZARRICE Sem terra, mas com mais poder do que a polícia e o Judiciário. É um deboche sem tamanho o que está acontecendo. Basta o governo ameaçar cumprir uma decisão judicial e são deflagradas as passeatas do MST para dissuadí-lo. A perda de todos os controles depende hoje de algo tão frágil como casca de ovo.
AXIOMA Pode-se incluir entre o calar da Prefeitura de Curitiba (e o não ver) a descoberta tardia da fraude com vale-transporte e agora com as falsificações bárbaras operadas na área da Diretran, com esta impotente para evitá-las. Como se vê o fazer também está na omissão. E aí aparece aquele menino nipônico fazendo aquele gesto para que calemos a boca.
ANALOGIA Não é só Requião que deve a baixa ou o fim do pedágio, leite, água e luz de graça aos pobres. Lula prometeu 8 milhões de empregos e em oito meses de gestão foram criadas 677 mil novas vagas. De grão em grão a galinha enche o papo. Mas de degrau em degrau para baixo corre-se o risco de encher o saco para valer. Felizmente aparecem, discretos, sinais de recuperação.

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