LUIZ GERALDO MAZZA
Fusões, confusões e ficção
O presidente da Copel e dirigente licenciado do complexo de comunicação da família, Paulo Pimentel, anunciou anteontem, num congresso de estudantes de jornalismo do Unicemp, as negociações entre o seu grupo e o da RBS, os Sirotski, para uma fusão e a produção de um jornal supra-regional (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul) e com circulação nacional. O que ganhamos ou perdemos com isso? Ganhamos se a associação não pender demais para os gaúchos, obviamente mais organizados empresarialmente e com faixas exponenciais de mercado. Detalhe: a circulação do ''Zero Hora'' bate a soma de todos os jornais mais importantes do Paraná.
Há, porém, um lado bom nisso tudo: num momento de crise e a propaganda é quase sempre uma das primeiras vítimas, embora o ''aquecimento'' para produtos como automóveis e telefones rompe-se a inércia do mercado e obrigam-se os concorrentes a refletir sobre as consequências que a novidade deflagraria. Por mais de uma vez falou-se em aproximação da RBS que até provocou reações inusitadas do presidente do sindicato patronal dos jornais, Abdo Aref Kudri, considerando-a uma intervenção ''alienígena''. Ora tanto Pimentel como Milanez ou Odone Fortes Martins não são paranaenses de raiz, o que mostra que somos, aí também, uma sociedade aberta ao convívio e à diversidade.
O Paraná precisa de veículos, de mídia enfim, que fuja da autarquia. Esse é um dos nossos limites, físico e cultural. Obviamente a RBS (agiu bem a Globo regional em criar a logomarca da RPC agrupando seus veículos) não pode entrar no campo da tevê pelo fato de o grupo Pimentel retransmitir a SBT. A RBS leva uma brutal vantagem no gauchismo por sua presença migratória em todos os quadrantes nacionais e capilaridade dos seus veículos.
Pode ser que tudo não passe de mais uma hipótese que os fatos não confirmarão com a rapidez imaginada, mas não deixa de ser um tema sério, de relevância até geopolítica, e que mexe com os acomodados com a crise e a perplexidade.
CONFLITO O discurso de posse do delegado geral da Polícia Civil, Jorge Azôr Pinto, tinha um tom de convocação à harmonia e sensibilizava a corporação após as sequelas do pleito da Adepol. Quando o clima gerava uma expectativa de busca de diálogo, o secretário Luiz Fernando Delazari, da Segurança, partiu para a hostilidade, repetindo chavões até aqui desmantelados na Justiça e politicamente, como se guardasse ressentimentos da derrota na Adepol.
João Ricardo Képes Noronha, delegado de carreira, presidente da Adepol, estava presente, revelação clara de predisposição ao diálogo. Embora estejamos na maior crise da Segurança, em termos históricos, persiste essa tensão. Urge encontrar uma ponte e esta, me parece, seria a procuradora geral de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes. Para provar inclusive a independência do MP.
FOLCLORE O povo do oeste-sudoeste, sublevado na Estrada do Colono, parece ter sido estimulado pelo deputado Irineo Colombo que teria afirmado o apoio de Lula à invasão. Aliás, o presidente silencia nas invasões de terra. Pelo jeito desta vez o ''ovo de Colombo'' não ficou em pé.
CROMO Esse seu ar de santa (prometo não indicar seu nome em vão por quebrar o imaginário encanto) e bacante ao mesmo tempo me convence que a virtude, menos do que o virtual, se capta nessa doce esquizofrenia.





