LUIZ GERALDO MAZZA
Abre e fecha da estrada
Não se dá apenas o abre-fecha dos bingos no Paraná, agora dependentes de ação federal para regulá-los conforme recente decreto presidencial. Abre-fecha de fazendas invadidas, abre-fecha agora da Estrada do Colono. Vivemos, pois, num cenário indefinido e de perplexidade.
É visível que os moradores da região atendida pela Estrada do Colono, que historicamente existia há dezenas de décadas, o que em parte anula a emotiva alegação de que rompia com a unidade territorial do Parque do Iguaçu, jamais se conformarão com essa perda que os obriga a desvios rodoviários de perto de 100 quilômetros para a ligação entre Serranópolis do Iguaçu a oeste com Capanema a sudoeste que pela via antiga era de 17,6 quilômetros. Obviamente a decisão de fechá-la está bem fundamentada na sentença do ex-ministro do STJ, quando ainda juiz federal, Milton Luis Pereira, e, é claro, alicerçada também na pressão dos ecologistas e do Ibama.
Enquanto, porém, uma decisão judicial, relativa à invasão pelo MST de fazendas produtivas, é desrespeitada por método, com a maior naturalidade, o episódio da Estrada do Colono, com a retomada de sua reconstrução por lideranças inconformadas, só falta provocar os cuidados do Ministério da Defesa como questão gravíssima de segurança nacional, capaz de efeitos os mais graves na Tríplice Fronteira.
Em qualquer país do mundo é comum o fato de parques nacionais serem atravessados por estradas é claro que com a adoção de cautelas ambientais. No Paraná o Parque do Marumbi tem essa peculiaridade com estradas como a da Graciosa e a BR-277, da mesma forma que se dá com o de Vila Velha igualmente dividido ao meio por uma rodovia federal. A Graciosa agrediu o ambiente: fez espécies animais e vegetais desaparecerem? Está lá respeitada, mesmo com uma fiscalização que deixa a desejar.
Decisões judiciais não podem ter encaminhamento oportunístico. Se razões sociais pesam na invasão de terras, elas também estão presentes, claramente, no inconformismo da comunidade com o fechamento da Estrada do Colono.
DERROTA O governo estadual foi amplamente derrotado na eleição da Adepol por ter tentado intromissão indevida na renovação daquela entidade. Duas coisas podem acontecer daqui para a frente: o desencadeamento de ações retaliatórias contra os vencedores ou um ato de reaproximação, indispensável porque os delegados de polícia, embora busquem preservar sua autonomia, sabem que devem, por um princípio elementar de administração, obediência ao governo.
O que não pode é permanecer esse clima de beligerância exatamente num momento em que a Segurança se revela como o setor mais vulnerável da administração com registros de violência ganhando quase progressão geométrica. Embora alguns radicalismos inócuos, como a da resistência extrema à escolha de sargentos PM em lugar da figura do delegado calça-curta, os policiais da hierarquia superior têm razão quanto à excessiva dependência do Ministério Público, como denunciou, ainda que tardiamente, o delegado Adauto Abreu de Oliveira que vinha aceitando essa submissão.
Se o governador tomasse a iniciativa da pacificação seria um bem para todos, pois no momento sobram incendiários e faltam bombeiros.





