LUIZ GERALDO MAZZA
Credibilidade recuperada
A escolha da desembargadora Denise Arruda para o STJ é um acontecimento excepcional. Tivemos lá o Milton Luís Pereira, que não é aqui nascido, mas deu em Campo Mourão como prefeito e em Curitiba como repórter de rádio, estudante, professor e juiz federal, testemunho de luta que foi o primeiro. Depois o Félix Fischer e agora Denise, em favor de quem se mobilizou a sociedade e não apenas o setor ligado à vida forense.
Não temos boa credibilidade nacional, essa é que é a verdade. Falta-nos uma estratégia solidária para isso e que acabe contaminando os políticos. Quando um Jaime Lerner vai para uma organização internacional de arquitetos como se dá com o mestre Romeu Bacellar internacionalmente no campo do Direito Público há um ganho a ser partilhado por todos. Essa era uma das qualidades fortes do Carvalhinho, recentemente falecido, que construía espaços nacionais com audácia e obstinação.
Carecemos de mais exemplos. Insisto em que precisamos reavivar o papel da nossa ''intelligentsia'' dispersa pelo País e o mundo, montar um cadastro dessa massa cinzenta e religá-la, o quanto possível, à raiz originária, não com a pretensão de trazê-los de volta (um físico do porte de Cesar Lattes, por exemplo, ou o Geraldo Cavagnari, maior autoridade em geopolítica da Unicamp), mas pelo menos de não esquecê-los.
AUDIÊNCIA televisão em Curitiba o público tem opções. Se não tolerar ''Mulheres Apaixonadas'' da Globo liga na Educativa e assiste à série, de todos os dias e de muitas horas, ''Os Políticos Apaixonados'' com Requião e os seus seguidores amestrados.
LINHA CRUZADA Percebe-se, na questão do pedágio, que tanto o governo quanto o cartel das concessionárias jogam para desinformar, provocar ruído, no estilo ''misturador de vozes''. É de resumir-se: só ''papo'' o que é bem melhor doque sopapo.
ATRITOS Mais cedo ou mais tarde isso teria que acontecer: a reação corporativa da Polícia Civil (e isso pode, a qualquer momento, se estender à Militar) contra a transformação desses organismos em mero apêndice do Ministério Público. A saída do delegado Adauto Oliveira, diretor da Polícia Civil, era esperada a qualquer momento pela insistente invasão de atribuições por parte do secretário Delazari. O problema só vai ser resolvido quando ficar claro que promotor público ou procurador de justiça não pode ser secretário, o que está expresso em jurisprudência da instância superior. Como Requião tem abertas divergências com a polícia, especialmente a civil, tanto que se envolveu até na eleição da Adepol, obviamente opta pelo Ministério Público.
PEDÁGIO Cândido Gomes Chagas (''Paraná em Páginas'') insiste em recuperar a Vila de Guaratuba que sofreu o solapamento e procura convencer o governo dessa necessidade como fizera, por amor à cidade-balneário, com seu arquiinimigo Jaime Lerner. Estudos batimétricos e de solo devem ser feitos na área. Outra do Candinho: se sair pedágio na BR-376 vai pleitear, como compensação pelo fato de o Paraná ter construído a rodovia, a duplicação da Garuva-Guaratuba.
Para que as nossas praias funcionem em padrão assemelhado ao de Santa Catarina é preciso fazer mais do que infra-estrutura: urge melhorar a cuca do empresariado. Cobrei, duzentas vezes, de Joel Malucelli o fato de fechar o seu hotel, o principal, de Guaratuba na entressafra. Pois Malucelli tentou ampliar a construção para adequá-la e sofreu o veto do Conselho do Litoral.





