LUIZ GERALDO MAZZA
O pedágio enrolado
Quando os emocionais falam, a credibilidade baixa. Assim se o governador disser que há algo relativamente a pedágio, bingo, contratos rescindidos ou adversidades políticas haverá sempre esse desconto. Também se dá o mesmo com o procurador-geral do Estado, Botto de Lacerda, hoje alçado à condição de figura central do governo, mas que empenhado como defensor longe está de adotar linha de distanciamento. Assim se eles disserem que a conta das vias pedagiadas poderá em lugar de uma indenização haver até dívida é difícil aceitar.
Mas quem usou esse argumento anteontem foi o secretário da Fazenda, Heron Arzua, que não embarca em canoa política e emocional e que afirmou, com todas as letras, que seria possível a hipótese de as concessionárias terem ainda que pagar alguma coisa pelo que receberam sem a retribuição devida das obras. Como o tributarista jamais entrou nesse tipo de cenário psicossocial a declaração é mais relevante do que o desmentido oficial de que a Fundação Getúlio Vargas não teria feito o laudo pericial que apontaria os R$ 4 bi de indenização.
A FGV havia confirmado a esta ''Folha'' quando da publicação do anúncio da ABCR a confecção do trabalho, embora deixando claro que nada deveria por enquanto ser publicado. Ou houve açodamento da contratante, que agora fica visível em declarações desencontradas de que o fato não ocorreu, ou estamos diante de um jogo de versões de interesse das partes.
Se o governo estava numa posição desconfortável agora quem fica numa dessas é a representante dos consórcios por haver se precipitado e engendrado um lance que aumenta a hostilidade do público ao pedágio e especialmente aqueles que exercem o papel, nem sempre hábil, de porta-vozes. Numa das conversações um deles chegou a fazer a ameaça de processar a Fundação Getúlio Vargas por estar negando um contrato que formalizou. O tic tic nervoso mudou de lado e nessa batalha o governo paranaense pode estar levando a melhor. É o que aparenta.
BIZARRICE Sempre se falou em marxismo-lernerismo quando se acoplava a ação do paisagista e artista Burle Marx com Lerner. Talvez esse marxismo, como poderia ser o de Groucho, esteja no fundo dessa opção pelo Partido Socialista.
AXIOMA Outra indicação que viria, ideologicamente, em favor de Lerner e de sua proximidade com a esquerda seria o fato de o comunista histórico Oscar Niemeyer ter sido seu cabo eleitoral na União Internacional dos Arquitetos.
FOLCLORE Se como governador Lerner permitiu o absurdo de os sem-terra ficarem acampados na frente do Palácio Iguaçu por seis meses dá para imaginar a sua capacidade de enfrentar uma ação do crime organizado (narcotráfico, PCC, Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos) diante da Prefeitura do Rio, caso eleito. É melhor, mais fácil, ficar em Curitiba e enfrentar as legiões do Doático Santos, ainda que com apoio velado do governo. O problema está no seguinte: se Lerner disputasse em Curitiba a sua vida inteira, a sua carreira política (tres gestões na prefeitura, duas no Paraná) e sua atuação como professor e arquiteto seriam submetidas a um plebiscito.
PRESSÃO Se Requião ganhar pontos na questão do pedágio e do Banco Itaú (com esse fazendo concessões importantes) a bola do homem enche.





