A corda ou acorda!

Lerner arranjou um modo de tirar o sono e a euforia de petistas e emedebistas a reboque do lulismo: anunciou que ingressa no Partido Socialista Brasileiro, o PSB de Miguel Arraes (que não é o mesmo de João Mangabeira, o histórico). E como em São Paulo Luiza Erundina postula a prefeitura pelo mesmo partido há em tudo um sentido de articulação para ir criando, desde logo, imunização contra a cláusula de barreira que virá inevitavelmente para fulminar micropartidos.
Como o ex-governador ameaçou entrar no PSDB, a social democracia de baixos teores, e foi rechaçado ou ao menos encontrou dificuldades, essa alternativa de buscar um partido ''socialista'' sem adjetivos provocou espanto. Bastou isso para que a insônia e a distonia neurovegetativa tomassem conta dos que já antegozavam a vitória eleitoral, apesar de haver muitos riscos ainda, inclusive, o de a situação brasileira degradar-se e o Lula perder a aura que hoje conserva. Ele tem mais de 70 pontos nas pesquisas, seu governo pouco mais de 40, o que confirma a tendência cultural à brasileira a acreditar no homem providencial no qual todas as esperanças são depositadas e cujo voluntarismo e inspiração seriam suficientes para mudar a história.
O problema é o seguinte: se uma candidatura Lerner põe em risco o cenário que aí está e condena os triunfalistas do PT-PMDB à insônia, a dificuldade maior seria justamente a de fazê-lo despertar, tirá-lo do sono a que se aferrou, o ex-governador e presidente internacional do Instituto dos Arquitetos. Para os que tentam mostrar distanciamento diante da notícia perturbadora nada como uma piada: a de que se Lerner for invocado no grito de ''acorda'' ele pode também estar voltando para a corda com a qual vai se enforcar.
Piada pode ser um remédio contra a impotência. Como aquela do carioca transfixado por uma cimitarra e estatelado na calçada em Copacabana e quando perguntado como se sente dá a resposta clássica: ''só dói quando eu rio''.
O ''SOCIAL'' Não é preciso confrontar a situação do Brasil como uma das dez maiores economias do mundo para saber que tudo isso se dilui quando se cruzam os indicadores sociais com os econômicos. É no IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, que se capta isso e também no dia a dia de todas as cidades.
Agora é a vez de Londrina: no mesmo dia em que assinalava o 160º homicídio, a cidade mergulhava no sonambulismo de uma realidade chocante com a contaminação de 22 bebês no setor pediátrico do Hospital Universitário. Imediatamente se adotou a interdição de outras áreas. Tempos passados tivemos o caos em Ponta Grossa, com UTIs saturadas, o que gerou desdobramentos políticos.
O desenvolvimento só é contínuo, unívoco e eficaz quando soma, como num ideograma, o social ao econômico. No Brasil o econômico anda de elevador e o social pela escada, a pé. Cuba, apontada como modelo pelos retrógrados, faz o caminho contrário: eficiente no social, fragílima no econômico
FOLCLORE O chimpanzé do Passeio Público, Tião, viu a porta aberta da jaula e se mandou para o Bar do Pasquale. Lá estava dona Isaura no balcão e um freguês bebendo uma caipirinha e lendo o editorial do ''Estadão''. O Tião chegou perto e poz-se a tirar com o dedo a bebida e a experimentá-la. Dona Isaura viu a cena e desmaiou. O bebum só percebeu o primata quando os guardas o pegaram.

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