Boa causa não basta
Se as boas causas, simplesmente pelo seu enunciado, se autobastassem Requião seria vitorioso em pendências como a da ''nacionalização'' (vale dizer, é claro, ''paranização'' também) das autopeças e componentes do terceiro pólo automotivo do País e a do pedágio. Como tudo está amarrado a contratos haverá dependência de uma decisão judicial para corrigir o que se aponta como errado. E aí a mais generosa das intenções pode esbarrar numa impossibilidade.
Em primeiro lugar o setor automotivo está sob dura recessão em nível mundial e também nacional. Só essa circunstância obriga os seus executivos a serem duros em qualquer tipo de negociação. As alquimias a que a Volkswagen vem recorrendo para driblar a pressão sindical contra a transferência de operários para uma empresa subsidiária dá bem a idéia de como se dará qualquer esforço no sentido de mexer em matéria contratual consolidada. Que as concessões foram exageradas todos estão cansados de saber como a liberação de quase US$ 300 milhões a duas montadoras, isso sem falar na prorrogação de incentivos fiscais e ainda por cima toda sorte de subsídios em área e infra-estrutura.
Também no respeitante ao pedágio, a esmagadora maioria dos usuários entende que o governador está coberto de razão em pressionar as concessionárias em favor de uma baixa significativa. Novamente a boa intenção não basta e até o momento não se viu qualquer sinal de fragilidade das pedagiadas ante a carga de tensões que cerca a sua relação com o poder concedente. Ao revés o que se percebe é que enquanto o governador faz o mesmo tipo de ameaça, e que não logra intimidar as empreiteiras, estas partem para argumentação de sintonia fina como a de colocar um laudo da Fundação Getúlio Vargas como o mais novo dos fundamentos a seu favor, indicando que a encampação não sairia para o Erário por menos de R$ 4 bilhões.
Membros do governo frisaram, no decorrer da semana passada, que a encampação não poderia ser feita antes de 2005 e ontem, no encontro do secretariado, o governador negou que houvesse a possibilidade de tanta demora, ainda que não fizesse qualquer indicação alternativa, já que o prazo para emendas à Lei de Meios, o orçamento, é limitadíssimo. Em suma a manutenção da esperança de que as boas causas sejam vitoriosas não basta para viabilizá-las.
BIZARRICE - A morte de Anfrísio Siqueira levou cavalheiros da Boca Maldita ao compromisso de manterem viva a instituição. Mesmo doente, Anfrísio conseguia sustentar a aura da confraria. Deixou encaminhada, entre outras coisas, a Rádio Comunitária Boca Maldita com autorização ministerial.
CALÇADA - Moradores de Santa Felicidade abriram campanha de assinaturas para uma Lei de Iniciativa Popular, em âmbito municipal, que fixe co-responsabilidade da prefeitura na manutenção das calçadas, hoje limitada aos proprietários.
FOLCLORE - Outra do Interventor Manoel Ribas, claramente anedótica: ao inaugurar bebedouro de animais teria tomado o primeiro copo d'água. A maledicência tentou sempre sugerir que Maneco Facão era rústico e ignorante, daí essas sacadas. Era, em muitos aspectos, sábio e um estadista. O presidente Dutra, em discurso, falou do Paraná como terra das ''araucarías''. Ribas teria justificado que não se dizia ''estrebária'', mas estrebaria. Outra maldade para caricaturar a grande figura e sua paixão pelas lides pecuárias.

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