LUIZ GERALDO MAZZA
O poder condigno
Semana passada, numa mesa redonda trabalhista, a classe patronal propôs que todas as cláusulas sociais, obtidas ao longo de contratos coletivos, fossem suprimidas e algumas econômicas como o aumento da carga horária, o fim do adicional das horas-extras e a desistência das perdas inflacionárias. Me vi obrigado a lembrar de fatos históricos como o da luta de Paul Lafarge, genro de Karl Marx, autor da monografia ''O direito à preguiça'' que, no século retrasado, antecipava as pregações do sociólogo italiano Domenico di Masi, o obstinado pesquisador do ''ócio criativo''. Lembro de um detalhe da capa do livrinho no texto: oito horas de lazer, oito horas de sono e oito horas de trabalho.
Como é que pode, num momento em que se torna imperiosa a luta pela redução da jornada de trabalho, alguém propor quase a volta das oito horas? Sabe-se que uma das marcas do tempo que vivemos é o da ''precarização'' do trabalho com as novas tecnologias (automação, robótica), o que leva muitos à precipitação de abominar os efeitos da globalização. Em decorrência dessa reflexão, centrada na idéia de que não há um contraponto bem formulado, doutrinariamente falando, para opor-se ao proclamado neoliberalismo que é uma clara deformação da raiz original do liberalismo, anti-opressivo por essência, lembrei de John Kennet Galbraith em sua obra ''Anatomia do poder'' e na qual descreve as formas de sua manifestação. Elas passam da mais primitiva, o poder condigno, aquele que deve ter suas origens no Direito Divino para justificar a escravidão e formas aproximadas, para o avanço do ''compensatório'', aquele que se origina na retribuição salarial a outras variáveis, diretas e indiretas, de ganhos ao ''condicionado'', o decorrente de todo um processo cultural, de persuasão, em meio a conflitos.
Não se pode deixar de reconhecer as dificuldades do momento em meio à quase recessão que nos oprime. Usar o poder de pressão empresarial para dissipar negociações e criar impasse não é certamente uma forma civilizada de luta. O convívio entre capital e trabalho é uma relação de choque, às vezes até de ruptura seguida de acomodação, que sustenta a dinâmica desse processo. Da mesma forma que hoje escasseiam as greves em função da prioridade de sustentar empregos, é inaceitável que se condene o trabalhador a recuar no tempo e no espaço nas suas conquistas.
BIZARRICE - Também em disputas sindicais e salariais é apropriado dizer-se que quando se está num início de negociações não se deve, em hipótese alguma, a qualquer uma das partes, usar o tacape enquanto se joga peteca.
AXIOMA - Se o governo se mete na eleição da associação dos delegados de polícia e depois nas das associações de pais e mestres certamente de uma coisa teremos certeza absoluta: a de que não terá tempo para governar.
STEPHANES - O secretário de Administração e Previdência, Reinhold Stephanes, entende que eu teria insinuado sua co-responsabilidade em atos ilícitos no Banestado. Ora jamais sugeri tal coisa. Estranhei apenas que empenhado no saneamento do banco não tenha sido ouvido até para clarear a gravidade da situação e melhor posicionar a CPI. Sei também que sua nomeação se deu depois de decidida com o Banco Central a privatização. Acho igualmente indispensável ouvir Gionédis, encarregado da formatação do processo. Além do mais esses depoimentos tirariam muito da aura emocional da CPI e seriam didáticos.





