LUIZ GERALDO MAZZA
Eleição dos xerifes
É ridículo falar em participação, expressão tão ao gosto de populistas e basistas, quando se assiste à série de intervenções indevidas no processo eleitoral da Adepol, Associação dos Delegados de Polícia. A chapa do delegado Zavataro corre o risco de não poder ser completada por causa de duas forças que se atiram contra ela: a do grupo dominante na entidade e a do governo.
Havia mais categoria e sutileza no passado nesse tipo de interferência: não se deixava tão facilmente exposta a impressão digital do delito. Claro que mesmo com Ney Braga, a última figura de expressão que esteve no posto, havia atuações do gênero e em algumas delas deve ter aprendido lições como a manobra tentada para tirar o comando da Federação Paranaense de Futebol de José Milani e que deu com os burros n'água.
Zavataro foi obrigado a mexer na chapa em função da cooptação de integrantes e nem tem certeza se estará com ela completa nas vésperas do pleito. É um caso de irracionalidade sem tamanho e que mostra incompatibilidade para o exercício da democracia. Houve manobras oficiais para juntar as chapas de Zavataro e a de Nabor Sottomaior por parte de burocratas do governo e com isso detonar o delegado Ricardo Keppes de Noronha. Se numa eleição corporativa se tornam mais ou menos ''legítimas'' essas articulações, dá para imaginar o que acontece num pleito de renovação de governo e câmaras legislativas.
Ganhe quem ganhar e os que têm mais condições sabem disso o resultado se revelará altamente viciado. O clima é passional demais como se se tratasse de batalha vital para o grupo que domina a Adepol e o do governo e os eleitores acabam contaminados por essa perturbação. Reconheça-se que um dos erros da Adepol foi ter, por alguns dirigentes, tomado partido na campanha eleitoral em favor de Alvaro Dias e com isso aquecendo as denúncias de Requião de que quem estava contra ele era a ''banda podre'' do sistema. No fundo desse radicalismo essa origem lastimável.
Enquanto isso ocorre, a segurança se transforma no maior problema do Paraná diante da escalada do crime e da ação precária para contê-lo como se não bastassem cenas de pastelão como a da caneta-revólver que explodiu em pleno gabinete do secretário Delazari. Um show. Como aquele em que se viu boa parte da Polícia Civil comemorando em banquete no Hotel Fazenda Pôr do Sol, Campina Grande do Sul, da chapa anti-Noronha, quando a alguns quilômetros dali a propriedade de dona Lúcia Arruda, irmã de Requião, era assaltada pela sexta vez e nada de dona Justa atender aos seus apelos.
FOLCLORE O semanário ''Hora H'' destacou em sua última edição as trapalhadas da área de segurança com o título ''a nossa loucademia de polícia''. Dá para fazer o concurso: quem deles, da hierarquia superior e intermediária, já que tantos são os candidatos, seria o Inspetor Clouseau?
AFORÍSTICO Cresceram as suspeitas quanto à morte de Osvaldo Magalhães dos Santos em função do que se obteve no Instituto Médico Legal: inexistência de exame de arcada dentária e o sumiço, em Ponta Grossa, de um folha de registro. O pior é que tudo pode redundar apenas da desídia técnica e funcional e que apenas faria potencializar aquilo que era apenas murmúrio e cochicho.





