Desarmamento inútil
Embora haja alguma validade no esforço educativo para combater a violência pelo desarmamento, a medida, a rigor, vai apenas tornar a bandidagem muito mais ousada. Se as ocorrências podem diminuir, elas não terão o condão de baixar a estatística da criminalidade. Pelas estatísticas sérias não é a arma legal a causa do incremento da violência até porque o equipamento do crime organizado é todo de origem clandestina.
Mostrar-se disposto a ser contra a violência como se viu naquela passeata no Rio de Janeiro feita em ''colagem'' na novela das oito e meia pode até levar muita gente à catarse, ainda mais aqueles que vão prantear filhos e parentes, vítimas de balas perdidas, porém o resultado será inócuo. Se há impotência, como demonstrou a Rede Globo, para impedir a formação de comboios de ônibus de muambeiros que vão ao Paraguai e fiscalizá-los, dá para imaginar que o mesmo ocorreria com a questão do contrabando de armas e este é que importa.
Pesquisa do DataFolha, junho de 1999, mostra que não há relação entre a quantidade de armas declaradas pela população comum e quantidade de homicídios. No Rio Grande do Sul 16% da população têm armas e a taxa é de 15 homicídios por 100 mil habitantes; Santa Catarina com 10% armados registra 8,3 homicídios por 100 mil habitantes e o Rio com 5% de armados tem o recorde de 59,9 homicídios por 100 mil habitantes. Nos EUA 39% da população têm armas e a taxa é de 6,8 homicídios por 100 mil habitantes.
O dado mais assustador, no caso brasileiro, é o da impunidade: no Rio apenas 2,1% dos assassinatos resultam em cadeia, em São Paulo a taxa é de 2,3% e nos EUA 98,5% dos homicidas vão pra cadeia. Portanto, há questões culturais e institucionais (a ineficiência da polícia e do aparato judiciário) muito mais importantes do que o suscitado pela passeata, válida, mas insuficiente.
BIZARRICE - Quando o rei é mais engraçado do que o Bobo da Corte o reino dançou.
AXIOMA - Condenação de diretores do Banestado na Justiça Federal no governo Alvaro Dias se deu em ocorrência na Leasing. Como se vê tanto o banco, que o Neivo Beraldin quer ressuscitar, como a Leasing são reincidentes, pois na gestão Lerner voltaram ambos a ganhar destaque. Não era, como disse, várias vezes, o banco de todos nós, mas o banco de todos os ''nós'', indesatáveis.
GLOSA - A história das jaquetas na PM criou ambiente tão neurótico que outro dia um oficial dentista falou em jaqueta e já provocou transtorno.
EPIGRAMA - Segunda sem carro em Curitiba, alegria de punguista nos ônibus.
VINHETA - Se a Urbs, que faz monitoramento rigoroso de ônibus e tarifa, levou tanto tempo para descobrir a fraude com vale-transporte e o meio de contê-la, é porque, no mínimo, agiu com desídia, desatenção. Só falta agora o prejuízo de mais de R$ 10 milhões estourar na tarifa do povão.
FOLCLORE - Se é mais fácil conseguir armas na ilegalidade por que a campanha de desarmamento? Só em 1998, segundo O Globo, desapareceram 10 mil armas no Rio em 16 empresas de segurança que fecharam. Em Sampa sumiram 5,5 mil armas de empresas de segurança também.

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