Receituário conhecido
As medidas até agora adotadas para reativar a economia são um ''band aid'' num caso que exigiria cirurgia heróica. E repetem situações anteriores como a de baixar IPI para automóveis e agora com esse pacote facilitando crédito para o espoliado consumidor brasileiro voltar a comprar televisores, geladeiras, computadores, enceradeiras e liquidificadores e, consequentemente, dar aquecida nas lojas de eletrodomésticos, renovando estoques e reativando fábricas.
Importante foi a baixa de dois pontos percentuais na taxa básica de juros, posto que os empresários a encarem como tímida. Como não lhes cabe conduzir o barco da economia e do câmbio é muito fácil imaginar panacéias, esquecendo que os seus efeitos colaterais podem ser devastadores e até fatais.
Até aqui a visão que se tem de Papai Noel para este ano, com as previsões de elevação do PIB em 1%, o que significa uma tragédia para um país que carece no mínimo de 3,5% e com isso abrandar sequelas sociais do desemprego, é a de que não estará nutrido como Rafael Greca (apesar do balão no estômago) e como o Orlando Pessuti, mas magrinho como o delegado de polícia, Renato Souza Lobo, ou o conselheiro aposentado do Tribunal de Contas, o mestre João Féder.
Dizer que o rumo da política econômica é correto não basta para quem deseja o prometido ''espetáculo do crescimento'' e que não virá tão cedo até porque as condições, inclusive do mercado mundial, apesar da melhora, ainda nada têm de satisfatórias. É, no entanto, melhor fazer algo, mesmo precário, do que manter a inércia até então registrada, incompatível com a carga de esperança que a eleição de Lula gerou. Aliás o placar da pesquisa Sensus mostrou a distância que o povo enxerga entre a aura de Lula, ainda intocada, com mais de 70% e o desempenho gerencial do governo com pouco mais de 40%.
BIZARRICE - O padre Roque está esgotado e quer se livrar de outras atribuições na sua pasta. Acompanhar o MST e seus conflitos é mais extenuante do que puxar o andor de procissão, uma via crucis, ainda mais quando a marcação é de perto.
AXIOMA - Por falar em padre, agudíssimo o Arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavalin, em lembrar que a Igreja é contrária à eleição de padres e alguém que faz a opção por um partido deixa de representar toda a comunidade. É uma norma muitas vezes desobedecida. Enquanto os católicos fazem a restrição, os da linha evangélica, especialmente pentecostal, deitam e rolam. E depois fazem verdadeiras ''igrejinhas'' no Congresso e assembléias.
GLOSA - Mutirão do Procom contra a Brasil Telecom que não discrimina nas faturas o número detalhado de pulsos (os prejudicados assinam processos) revela apenas a impotência do organismo de fiscalização para chamar atenção da Anatel.
FOLCLORE - Pedro Lauro, o folclórico deputado federal do Paraná que pretendeu anexar ao Brasil a Guiana, está agora atrás de outra: produzir anéis, como os de grau, para vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes. Seria uma forma de identificá-los e de mostrar que na hipótese da não reeleição ir-se-iam os anéis, como diz o ditado, e ficariam os dedos.

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