A frágil memória
Já falei, mais de uma vez, da amnésia, principalmente de Curitiba, em relação à figura de um dos maiores arquitetos do Brasil, aqui nascido, João Batista Vilanova Artigas, um dos criadores do curso da especialidade na USP. É uma vergonha o fato de Londrina ter tomado a iniciativa de criar o museu em honra a esse artista, cuja influência é marcante na arquitetura da cidade e que aparece no livro de Domingos Pelegrini ''Terra Vermelha'' como Urtigas e no qual o romancista o apresenta como um socialista determinado.
Pois bem: agora está em andamento em São Paulo a 5 Bienal de Arquitetura e Design que tem como nominador da mostra o arquiteto curitibano na promoção do Instituto Tomie Ohtake. Com essa amnésia militante da nossa área cultural, e que não se limita ao campo oficial, não surpreende o fato de que no momento de pôr em destaque figuras como Vilanova Artigas e no 'background'' do esquecido sesquicentenário da província a sociedade do espetáculo prefira culturar todo o ''marketing'' em cima do lernerismo. E não se trata de marcação cerrada porque nas edificações apontadas para preservação e tombamento se deu muito mais relevância a pardieiros de discutível expressão artística ou histórica e nem sempre aglomeradas adequadamente como no Setor Histórico do que aos sinais da expressão de vanguarda.
Não dá para esquecer, e volto à relevância do assunto, da perda da biblioteca de Adir Guimarães, o mais completo acervo de almanaques, livros, periódicos, para a Universidade de Camberra, Austrália, porque o governo Paulo Pimentel hesitou em sua aquisição, embora os esforços do filósofo e educador Erasmo Piloto no sentido de enriquecer a Biblioteca Pública. Há esforços na Capital para transformar a residência do médico João Luis Bettega, já falecido, obra de Vilanova, para um museu voltado à memória daquele que figura entre os maiores arquitetos das Américas. Há um filme acompanhando a mostra em São Paulo de 52 minutos com entrevistas com nomes máximos da arquitetura no país, dentre eles o Oscar Niemeyer, nome e autor do Museu da terra.
A ILHA - O Paraná não é uma ''ilha'' como a de Fidel Castro, mas além de opor-se (e de maneira férrea) ao bingo, ao pedágio e agora aos transgênicos, com lei que interdita o território à sua produção, ganha espaço na polêmica. A FAEP, normalmente acomodada e que mal reage ao abuso das invasões de terras e das decisões judiciais não cumpridas, discordou claramente até por um detalhe bem elementar: o de não de tratar-se de assunto para legislação estadual. Por sinal que as derradeiras indicações mundiais a respeito, aí incluídas as entidades preservacionistas que obviamente desejariam o veto, são no sentido de que devam apenas ser definidos em rótulo os produtos com essa origem na manipulação genética por inexistir qualquer razão científica para aboli-los.
O governo Lula reagiu na hora da exportação da soja à idéia de radicais de impedir a comercialização do produto transgênico e tende até a aceitá-la com as cautelas que o assunto comporta. Em ciência ideologia é má combinação.
ESPETÁCULO - Vamos pagar um preço alto pela vassalagem ao espetáculo. Um deles será certamente no das indenizações a que o governo paranaense será obrigado a pagar no caso das invasões de terra. O correto seria uma ação regressiva contra os chefes de governo que as facilitaram. As mais antigas, como a da Fazenda Sete Mil (mais de seis anos de ocupação com o abate de milhares de cabeças de gado), custarão perto do que estão avaliando para o pedágio.

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