A pobreza do sesquicentenário

A responsabilidade pela falta de programação organizada para celebrar o sesquicentenário do Paraná é do governo passado, pois ele teve o tempo necessário para planejá-la e pouco fez. Isso não significa que deva a gestão atual amarrar-se nesse argumento quando pode ainda com limites corrigir a omissão do antecessor.

Isso vem a propósito dessa decisão do presidente Lula em restabelecer o culto à bandeira e ao hino nacional, ao menos uma vez por semana, nas escolas. É que a medida se insere no campo da construção da cidadania e da identidade nacional. Também se reflete na imperiosidade de sustentar o mesmo espírito nos chamados estados-membros, o que cai como luva no caso específico do Paraná que por ser um dos exemplos mais fortes de diversidade em busca da unidade, o que alcança o batido tema da nossa identidade cultural, deveria aprofundar esse culto, adensá-lo, para que servisse como referencial. E estamos perdendo uma oportunidade de ouro neste ano, o que nos leva a lembrar o quanto se projetou o Paraná no centenário, em 1953.

A iniciativa do governador Requião de fazer uma proposta específica para o Centro Cívico além de se ligar, de forma mediata, às obras do Centenário tem inegável força agregadora. Mas é preciso mais e que vá muito além desse destaque pretendido para a eliminatória da Copa do Mundo de 2006 no jogo Brasil-Uruguai que se inseriria no programa das comemorações.

IDENTIDADE A tertúlia acadêmica em torno da nossa identidade - se a temos ou não, o que é debatido desde os anos vinte do século passado - é melhor resolvida em atos que confirmem essa inserção no dado histórico e cultural de algo mal cultuado entre nós, inclusive nas escolas. Em 1953 o Paraná, e especialmente o seu governador, então um dos maiores oradores do Brasil, fez a pregação em centenas de congressos, nacionais e regionais e até internacionais, aqui realizados, sobre o que seria a especificidade desse processo de civilização. E foram dados, a partir daí, passos importantes para a unidade físico-territorial, o que já ocorrera com Manoel Ribas com a Estrada do Cerne no caso das ligações com o setentrião cafeeiro. Já não se pode dizer o mesmo sobre a unidade cultural o que, o mais das vezes, fragmentava os três Paranás a que se referia o saudoso historiador Rui Wachowski.

POLÍTICA O processo político tem buscado fazer essa interação. Tanto que, há bastante tempo, as chapas para a sucessão governamental buscam acertar com alguém do interior na cabeça (Paulo Pimentel, José Richa, Alvaro Dias) e um vice da área metropolitana ou tradicional (Plínio Costa, João Elísio, Ary Queiroz) ou o contrário como nas dobradinhas Requião-Mário Pereira, Jaime Lerner- Emília Belinati e Requião-Orlando Pessuti. Essa busca de ajuste intra-regional não é suficiente, operacionalmente falando, mas importante. É que superamos, e isso felizmente, o tempo das tensões que sob um ponto de vista localista até tinham algum fundamento como na briga ao norte pelo Estado do Paranapanema, chamando o resto de ''Paranapamonha'', ou o havido no oeste-sudoeste com o badalado Estado do Iguaçu. A diversidade é de uma riqueza ímpar no processo paranaense e irrigada, em especial, pela presença de brasileiros de todos os quadrantes e das etnias que levaram Wilson Martins a nos conceituar como ''Um Brasil Diferente''.

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