LUIZ GERALDO MAZZA
Estímulo à devassa
O governo federal decidiu que a BR-116, Curitiba-São Paulo, e as BRs-376/101, trecho Curitiba-Florianópolis, serão privatizadas, mas está, ao mesmo tempo, preocupado com o impacto tarifário da medida, alegando que se prevalecerem os valores contratuais vigorantes o custo 100 km do pedágio iria a R$ 6,80. Daí a preocupação em mexer nos fundamentos do pedágio e incluir mudanças de método nos editais.
Embora o governo Lula não trate empresários no estilo de Requião, isso, de forma indireta, pode agilizar as ações do Ministério dos Transportes nas rodovias do Paraná na auditagem pretendida a pretexto de criar pré-condições para a encampação, o que não passa de ''prensa'' e jogo de cena, funcionando como meio de acuar os consórcios.
Se por mais de um ano, no Tribunal de Contas da União, que apontou anomalias nos processos de privatização das rodovias, a pendência rolou para liberar os contratos por 5 a 4 votos dá bem a idéia da complexidade do assunto. Na justiça as coisas ainda se complicariam mais como a sanfona das concessões e cassações de liminares, como ocorre normalmente. A decisão federal, de certa forma, dá um pouco mais de respaldo à briga de Requião pela baixa das tarifas a despeito do traço de arrogância e demagogia nela inserida, o que não retira a validade de uma luta que interessa à maioria esmagadora dos usuários.
LUZ PATERNAL - Bem na linha do populismo operístico foi lançado o ''Luz Fraterna'' do governo estadual na Vila Zumbi dos Palmares, um dos maiores complexos de favela de todo o Paraná. A festa celebra uma ocupação de área de preservação permanente, protetora da bacia do Iguaçu que abastece Curitiba. Outro detalhe: Paulo Pimentel, que hoje leva luz ao núcleo, foi quem fez a captação do rio em seu governo para abastecimento de água. O rio que supria a área e que passa ao lado da Vila, mergulhada em terreno turfoso, é o Palmital, hoje mais poluído do que o Atuba que na construção da benfeitoria foi desviado para não forçar a sobrecarga de tratamento. Agora o Palmital morre com a ajuda da invasão dotada de luz de graça e com linhas para impedir a gambiarra, pois seria um absurdo dar o benefício sem completá-lo, evitando o risco de acidentes fatais por causa das ligações clandestinas. Pra que clandestinidade se a luz é farta e gratuita?
PARENTE - Um governo com muitos parentes no poder é mais do que transparente. É, seguramente, o traz parente. O que não o impede de agir entre parênteses.
FOLCLORE - Outro dia a colunista Ruth Bolognese, com a proverbial elegância, tirou um sarro sutil do governador que com seus habituais e compulsivos exageros, ao criticar a obsessão dos prefeitos com o transporte escolar, disse que quando jovem ia ao Colégio Estadual a pé por dez quilômetros. Da sua casa ao colégio não gastaria três quilômetros. Para fazer os dez a pé poderia circular por todas as obras de Lerner como o Parque São Lourenço, Ópera de Arame, parques Tanguá e Tingui, terminais, canaletas de ônibus, enfim olhar tranquilamente muitas das obras de maquiagem do seu antecessor, sabidamente, como sempre se referiu, um decorador de cidades, tendo a ciclovia como a referência básica.





