LUIZ GERALDO MAZZA
Requião e os prefeitos
Burgomestres de todo o Brasil gostariam de ter à frente de suas legiões como seus representantes o governador paranaense que se habilitou como gladiador nas escaramuças com o ministro Palocci. Razões de última hora o fizeram delegar tal missão ao seu secretário de Desenvolvimento Urbano, Renato Adur.
Depois dos desgastes produzidos pelas refregas iniciais, Requião deve ter percebido que ao incorporar as defesas dos níveis municipal e estadual poderia saturar o meio-de-campo num momento explosivo. Era, no entanto, a hora de obter avanços, embora a ambição municipal por vezes venha a chocar-se com as teses estaduais.
Houve passeata com mais de 4 mil prefeitos do Brasil em Brasília e o clima era centrado na idéia de que um pouco mais de pressão poderia ampliar a fatia que cabe aos municípios no bolo fiscal. Ficar apenas com o glacê serviria apenas para o exercício possível de um pastelão hoje em moda no primeiro mundo e capaz de reprisar-se nos entreveros da Organização Mundial do Comércio em Cancún, o velho Atletiba de Ricos contra Pobres, cada vez mais espirituoso pelas ações de rua e o faquirismo antiglobalização, todavia com escassos resultados práticos.
Em lugar de alinhar-se ao municipalismo, ele que conhece o ramo já que foi prefeito da Capital, acabou tendo um atrito com Nedson Micheleti, prefeito de Londrina, quando tentou chamar-lhe a atenção sobre o desempenho da Sercomtel, do qual é acionista minoritário por força daquela, até hoje inexplicada, venda de 45% das ações para a Copel. O governador, de posse de auditoria do Tribunal de Contas na empresa de telefonia, achava que era preciso reduzir gastos com propaganda (no caso de um mercado competitivo passa ser um fator indispensável) e fechar empresas coligadas. Micheleti, que vai sofrer outras pressões da mesma origem em função de o PMDB ter postulante na região, ao revés do que se dá na Capital, respondeu como um rígido seguidor do petismo lembrando que tais providências não caberiam nem ao governador e muito menos ao prefeito e sim ao conselho competente da empresa. A auditoria de fato apurou a contratação de serviços de R$ 89 mil sem licitação por uma das empresas coligadas, o que merece correção e censura, sem exageros que não sejam precedidos da devida avaliação técnico-operacional.
BIZARRICE - A propósito dessa tensão hoje em Cancún entre pobres e ricos lembro a frase do mexicano Mario Moreno, Cantinflas, num filme, anunciando como jornaleiro a manchete da ONU: ''Amanhã reunião dos quatro grandes com duzentos e oitenta pequenos''.
AXIOMA - Dois diretores de estatal não podem ter conta em banco e quem recebe por eles é uma esposa e uma filha. É o que se fala amiúde por aí.
GLOSA - Além das listas da CC-5 e da lavagem no Banestado de Nova York há outra curiosidade transitando, ainda que protegida pelo sigilo, relativa a medidas administrativas do Banco Central em casos da terra.
FOLCLORE - BR-116 entre Curitiba e São Paulo e BR-376/101 de Curitiba a Floripa ficarão aos cuidados da iniciativa privada por decisão da União. E agora como é que fica a cruzada contra o pedágio, sabendo-se que boa parte da ligação São José dos Pinhais-Garuva foi construída no governo Requião? Se o governo federal baixar tarifas, como anuncia, Requião terá marcado pontos.





