LUIZ GERALDO MAZZA
Nominar os corruptos
O governador do Paraná, irritado (e com razão) com a derrubada do pedido de intervenção em Nova Aurora, declarou com a veemência habitual não entender ''a complacência de alguns deputados com a corrupção'' e mais ainda que eles teriam oficializado a corrupção. Bastou isso para que o adversário de estimação do governador, o empresário Guilhobel Carmargo mandasse expediente a todos os parlamentares reproduzindo o pedido de ''impeachment'' de Requião por infringência ao artigo 28, 1º, que o proíbe taxativamente de exercer outro cargo quando sempre se declarou acumulando a pasta da Segurança e, é claro, provocando-os a que se manifestassem sobre a genérica acusação de corrupção quando simplesmente a maioria derrubou o pedido de intervenção.
Como na música ''funk'', aquela que se refere ao tapinha que não dói, uma frase cáustica não abala os brios parlamentares porque eles conhecem o estilo do governador e, de saída, o atribuem aos transbordamentos habituais que dirige até ao seu círculo mais íntimo de relações. É uma ingenuidade do missivista esperar que os deputados da base aliada se mostrem ofendidos por saberem que outras vezes voltarão a ser mimoseados, pedagogicamente. Possuem antígenos contra esses repentes. Tanto que até hoje se recusam a rever aquela vergonheira que foi a montagem e desmontagem da CPI da venda das ações da Sercomtel para a Copel, o que ensejou a suspeita de que teriam ''rolado'' vantagens em favor daquele insólito e imoral recuo.
Voltando a essa proibição da Constituição Federal (a do artigo 28) é de levar-se em conta que ela abrangeria também o vice-governador Orlando Pessuti por acumular a secretaria de Agricultura e já ter exercido a Chefia do Poder na ausência do titular Requião e que viajará muito, como se sabe. Se assumiu o governo e se manteve como titular da Agricultura acabou se enquadrando. Mas se é difícil esperar que alguém dê andamento ao ''impeachment'' pelas razões arguidas do governador mais difícil ainda o seria relativamente ao ex-colega Pessuti que volta e meia manifesta saudades do seu tempo de parlamentar. Ele tem menos arestas do que o governador e estaria previamente absolvido.
Seria uma situação curiosa: na primeira, o ''impeachment'' de Requião, prevaleceria o temor reverencial ao chefe, corolário do conceito exposto em ''O Príncipe'' por Maquiavel, o de que vale mais ser temido do que amado. A razão inversa, o princípio do amor sobrepujando o medo, beneficiaria Pessuti.
VULNERABILIDADE - Nunca um governo na área de Segurança se revelou tão vulnerável como o atual. Além da escalada da violência a escolha de um membro do Ministério Público criou cisões internas e isso depois de Requião ter se declarado acumulando o posto secretarial. Agora veio a intervenção no Sinclapol, Sindicato das Classes Policiais, e que atinge Luis Bordenowski, presidente licenciado e agora afastado e que acumula a condição de Ouvidor das polícias civil e militar. Como se já não bastasse o episódio havido com a caneta-revólver que atingiu um hierarca desavisado no gabinete do secretário e que teria sido presente do Bordenowski. A arma é proibida e pior do que o pastelão da cena é a infração penal que configura.





