LUIZ GERALDO MAZZA
O estamento e a política (II)
A Copel está para o Paraná como a Petrobras para o Brasil. Muito mais do que o Banco do Brasil ou do que em nosso exemplo o ex-Badep, ex-Banestado e a ainda vigente Sanepar. Chegou a transformar-se em ''aparelho'' ao manter uma linha de montagem de quadros para ocupar outras dependências do governo. Um deles, Edson Neves Guimarães foi um dos melhores secretários de Fazenda que tivemos no segundo governo Ney Braga.
Numa visita feita à empresa, logo após a vitória eleitoral, Requião provocou os funcionários sob a alegação de que não teriam exercido a legítima defesa da instituição quando dos atos voltados à privatização. Seria o equivalente a que o seu secretário da área de Esportes pretendesse defender, no seio do governo, num daqueles psicodramas de segunda feira no Museu Oscar Niemeyer, os bingos como forma de fomentar a formação de atletas e manutenção de clubes. O modelo elétrico nacional era dirigido para a privatização, não cabendo no momento em que isso se dava o questionamento sugerido. Aliás essa privatização, ao que se saiba, não está afastada até porque inexistem recursos oficiais suficientes para o atendimento da demanda futura.
SAÍDA DE ARY O pedido de afastamento de Ary Queiroz da presidência do Conselho Diretor é a parte visível de um ''iceberg''. Até que ponto a alegação de que tomava conhecimento de decisões pelos jornais, e citava aí o caso específico da elevação das tarifas em 15%, explicita claramente as razões da desistência? Ora a pessoa, com melhor currículo do grupo dirigente, era justamente aquele que chegou a tocar a Copel num momento de grandes decisões como, por exemplo, a primeira, a do canal de desvio do rio Iguaçu, na hidrelétrica de Segredo e que acabou também nos tribunais. Com a saúde abalada e contrariado certamente pelo andamento das coisas, tirou o time de campo.
Mas os quadros técnicos da empresa, ao tempo da sua gestão e da decisão de ''subverter'' a visão interna, estamental, com o ''Clic Rural'', que atingia fortemente um dos bastiões da estatal, o fato de ter ao longo do tempo contribuído e muito para a codificação de criações suas nas normas técnicas nacionais, eram mais robustos e qualificados e por isso mesmo resistentes ao fascínio e à sedução dos políticos.
MINORITÁRIOS No histórico da Copel há uma passagem que demonstra o potencial dos chamados acionistas minoritários. No segundo governo Lupion presidia a estatal o irmão de Moisés, o José. Um minoritário, mas militante político do ''neysmo'', o advogado Rubens Requião, levantou um problema: a passagem das linhas de transmissão da empresa em áreas pertencentes ao presidente e que por essa razão precisavam ser indenizadas. Moisés demitiu José, biblicamente.
Agora da mesma forma que a Comissão de Valores Mobiliários examina se houve informação privilegiada a setores do mercado pela Petrobras quanto à descoberta das reservas de gás, ciclópicas e superiores as da Bolívia, da Bacia de Santos, também os minoritários da Copel se organizam para reclamar as perdas representadas pela ordem do governador de não seguir a orientação da agência reguladora, Aneel, no aumento de 25% e depois no da própria empresa no de 15%. A queda no ano de 17% no valor das ações é também um dos fatores mais fortes da argumentação.





