LUIZ GERALDO MAZZA
Soco na mesa
O governador não pode ter a pretensão, como fez no caso da ''Luz Fraterna'', denominação que lembra centro espírita, de impor à Assembléia que não emende suas propostas. Tem, no entanto, todo o direito de auscultar as razões pelas quais a sua base parlamentar negou a intervenção em Nova Aurora.
Se for uma sinalização daquelas que ocorriam sob o ciclo lerneriano preparem-se os ilustres parlamentares para um exercício de fúria justificável e que não poupe ninguém. Foi sob Lerner que o Legislativo submetia o Palácio à condição de refém em troca de vantagens na hora de votar qualquer medida importante.
Até hoje a Assembléia Legislativa não cumpriu o seu dever de saber por que razão seus integrantes montaram a CPI da Copel-Sercomtel num dia e a anularam, sem o menor constrangimento, 24 horas depois. Esse é o referencial moral que atinge boa parte da atual composição da Casa e que participou dessa sordidez.
É de esperar-se que o governador chute o pau da barraca, puxe orelhas, faça, enfim, aquilo que é o seu estilo. Nesses confrontos, como se deu no da Reforma Tributária, o destempero se transforma em virtude. A deselegância se traveste em altivez e a grosseria pode ter a finura de um movimento de florete como um Dartagnan, não o Darta da ''Tribuna do Paraná,'' mas o líder mosqueteiro.
BIZARRICE Incrível a desfaçatez de políticos como Marcos Isfer, querendo dar uma de anti-lernerista, quando era da banda de música que apoiava tudo, da privatização da Copel à do Banestado. Por isso é que levam o banho do Ingo, mostrando-se jejunos em matéria técnica e depois buscam saídas desesperadas para mostrar serviço. A submissão é uma sub-missão, não é missão.
AXIOMA Já que o Neivo Beraldin acredita possível reverter o leilão do Banestado por que não convoca o formatador do processo, Giovani Gionédis?
GLOSA Se o MST começar a cobrar proteção de fazendeiros, como se anunciou, vai ficar difícil, como na polícia, separar a Banda Podre da boa, a minoria acaba, pela contaminação, comprometendo a maioria. Da mesma forma que na polícia só a minoria é podre, há o risco da confusão e da generalização no MST.
EPIGRAMA Pesquisa Sensus deu 73% da população abominando as invasões. Só o MST e os políticos é que não se tocam nessa obviedade.
VINHETA Que tal, só para refrescar a memória, dar a listagem dos que votaram pela privatização da Copel? Provocaria alguns constrangimentos.
FOLCLORE Na ''pelada'' do Burguel, Campo Comprido, chácara hoje tomada pela Cidade Industrial, o Arthurzinho (Teophilo de Castro) dá um bico na bola que bate no tronco de um pinheiro e na recarga atinge as suas partes baixas. Este, um sofisticado intelectual, mas com a dor diferente daquela do poeta Fernando Pessoa (e que deveras sente) dá um uivo: ''ai minha glande!''. Dos quarenta frequentadores só dois sabiam do que se tratava e nenhum deles se chamava Aurélio Buarque de Holanda ou Antonio Houaiss. O local atingido, para ser bem didático, era justamente aquele em que punha as mãos para fugir da dor.





