LUIZ GERALDO MAZZA
Lição não aprendida
A experiência vivida parece insuficiente para prevenir o erro na gestão pública. Vimos que a tragédia de Campo Bonito, com morte de três PMs e de um líder sem terra, de nada serviu para orientar a autoridade nos conflitos de terras. Teremos com o quadro reinante novas ocorrências sangrentas como a de anteontem de Foz do Jordão. Todos os personagens continuam com o mesmo discurso e isso tem tudo da tragédia grega que a despeito dos sinais de premonição, da certeza de que o fato lutuoso se dará ele acaba se consumando.
Não apenas aí isso se observa. A polícia tem o hábito de sustentar em seu ecossistema a fauna dos alcaguetas. Na Região Metropolitana, há inúmeros deles atuando em diversas delegacias. Embora não integrantes do quadro conseguem, graças à cultura interna e a interveniência abominável de políticos, espaços em que atuam com extrema desenvoltura. Há a presunção óbvia de que por não receberem por seus ''serviços'' se viram de forma alternativa em muitos casos na base da prensa e da extorsão.
Um dos causadores da morte do jovem Zanella foi uma dessas figuras da fauna paralela da ação policial e que acabou arrastando na responsabilidade integrantes dos quadros formais e que acabaram comprometidos, por ação ou omissão, na tentativa de atribuir à vítima do homicídio ações ligadas ao tráfico de drogas, o que foi amplamente desmascarado, graças à vigorosa atuação da genitora do assassinado.
Quando se vê pela imprensa a discussão estéril em torno do improviso de sargentos em lugar de delegados calças curtas, e que mexendo com brios corporativos, provocou enorme celeuma, percebe-se que se dá ao caso dos ''bate-pau'', dos alcaguetas, um tratamento de mistério e de realidade encapuzada. É o poder paralelo funcionalmente admitido. Em certa medida isso é tão aviltante quanto aqueles órgãos autorizados ao homicídio e à tortura pela ditadura militar.
BIZARRICE Advogados de Ponta Grossa e Imbituva acusam o MST de extorsão, de cobrar de proprietários para não invadir. Se assim é, dá para perceber que nem todos são contra o pedágio, especialmente um com o charme de alternativo.
AXIOMA Avelino Teodoro Ribas é o autor de novo recurso na 3 Vara da Fazenda Pública contra a licitação da propaganda. A mídia agora não reclama apenas de que não lhe dão razão, pois agora lhe recusam a ração.
GLOSA Pelo que houve ontem em Brasília no encontro entre Requião, a bancada federal e o ministro Palocci é quase certo que o Paraná na comemoração do seu sesquicentenário irá mais longe: tornar-se-á república independente, tal qual aquela do gaúcho Plácido de Castro, no Acre. Por mais extravagante que isso pareça, às vezes não há outro jeito de reagir ante a hipertrofia da União em matéria de tributos. Para essa ''me chama que eu vou!'' Às vezes o destempero é a forma possível e desejável da virtude.
EPIGRAMA Um detector de mentiras na CPI seria bom, desde que houvesse um aparelho que melhorasse o QI dos parlamentares.
FOLCLORE Ingo rima com bingo. E como ele bingou os deputados na CPI!





