LUIZ GERALDO MAZZA
Os excluídos, o compromisso
Nas celebrações do sesquicentenário, o governador Requião sugeriu que o maior compromisso seria com a inserção dos excluídos na economia. É apelo retórico até porque inexiste qualquer estratégia bem fixada para esse objetivo. Leite, água e energia a custo zero para alguns, embora o significado alegórico, pouco acrescentaria à rotina paranaense pela dificuldade em detectar dados precisos dessas conquistas.
Só há uma forma de fazer esse esforço: transformar os estímulos à economia em ações integradas na parte social, o que dependeria de programação muito bem coordenada e que inexiste. Há uma tendência nas nossas práticas de subordinar o social ao econômico, isso é os ganhos distributivos só poderiam advir da hierarquia que o capitalismo tradicional concede àquele fator. Na doutrina paranaense de desenvolvimento, especialmente a que se inspirou na pregação do Padre Lebret (Movimento de Economia e Humanismo e que operacionalmente era tocado pela Sagmacs, Sociedade de Análises Gráficas e Mecanográficas Aplicadas aos Complexos Sociais) há o empenho em evitar a dicotomia desses dois vetores da vida em sociedade.
O aparato público está frouxo demais para assumir posturas que escapem à sua rotina. E o lado social é que mais exibe feridas: a violência nos bolsões de pobreza, a incapacidade preventiva e repressiva dos organismos de segurança (vide a escalada criminal ao lado do absurdo das desumanas condições dos presídios) para deter a patologia, o mau desempenho dos serviços de saúde e educação. Normalmente o social é mais discurso do que prática. Vide o saque de Lula com o Fome Zero terrivelmente frustrante.
Remissão da pobreza sempre foi ponto alto do discurso populista, meta jamais atingida como a óbvia realidade o demonstra. O social se distancia do econômico: o Brasil é oitava economia do mundo e ocupa posição humilhante em termos de Índice de Desenvolvimento Humano, que cruza os dados sociais aos de natureza econômica.
BIZARRICE A CR Almeida teve pesada demanda com o governo Alvaro Dias na Copel. Acabou ganhando a pendência e o Paraná teve que desembolsar em acordo R$ 90 milhões, já que a conta chegava perto de R$ 170 milhões. Pergunta-se: e se as demandas que o governo atual vem sustentando forem derrotadas tudo ficará como se o governante nada tivesse a ver com o peixe? A viúva paga. E a viúva é o Erário, todos nós. O ato temerário no Brasil não é punido.
AXIOMA Outra da Copel. No governo Lupion, o segundo, Rubens Requião como acionista minoritário da empresa denunciou o fato de que linhas de transmissão passavam por áreas do presidente da Copel, José Lupion. Moisés demitiu José. E se acionistas decidissem ir à justiça debater prejuízos que teriam com medidas do governo paranaense na condição de acionista majoritário?
FOLCLORE O compromisso do MST de não mais invadir era de mentirinha, como se está percebendo. O governo, que celebrou o acordo com destaque na mídia, não fez qualquer pronunciamento estranhando o comportamento dos sem terra. Tão válido esse acerto como o de certas promessas eleitorais que todos sabem que não são para valer mesmo.





