LUIZ GERALDO MAZZA
A fantasia que não salva
No encontro das segundas no Museu Oscar Niemeyer (adversários maldosos o comparam à Escolinha do Professor Raimundo, criação do Chico Anísio) a equipe do governo estadual se reúne para examinar um determinado setor. Nas duas últimas o governador não estava presente e obviamente não tivemos aquele tom proceloso, vulcânico e regado a humor corrosivo dos piches na gestão passada e puxões de orelha nos seus aliados. Enquanto Requião se encontrava no exterior e fazia diagnósticos sombrios sobre o sistema energético norteamericano, ao qual propunha ponderáveis sugestões como se estivesse concorrendo como candidato avulso no pleito presidencial futuro como alternativa a republicanos e democratas, o secretário de Assuntos Metropolitanos, Edson Strapasson, anunciava um Programa Integrado de Transportes (que tem tudo de emulação com a Prefeitura Municipal, adequado ao pleito de 2.004) de nada menos de 75 quilômetros de vias pavimentadas e 18 terminais de transporte e que pretenderia concluir em dois anos. O governo prometeu concluir o Contorno Norte, no qual faltavam apenas dois quilômetros e até agora não conseguiu fazê-lo. Seria uma vitória em cima de Taniguchi que não pagou a parte que lhe cabia no convênio, o que o deixaria em má situação.
O ideal civilizado para as disputas entre o burgomestre e o governo estadual deveria se dar no campo da emulação com um procurando fazer mais do que outro em benefício do conjunto e largar mão de refregas inúteis sobre as cercas do Centro Cívico, alegoria inócua, ou ainda com as de obstrução, via tarifas, ao programa de integração do transporte metropolitano. Divergências assim geridas teriam sempre um caráter propositivo e construtivo, ainda que parecesse até chocante a mudança de estilo.
É verdade que no campo das patologias temos agora o PMDB tentando reavivar a fogueira do Caixa 2, acusado na eleição de Cassio Taniguchi, enquanto o time do Palácio Iguaçu é flagrado também na presunção de esquema semelhante no caso estranho, para dizer o mínimo, dos bingos, cuja doação foi novamente confirmada pelo Sindicato, ainda que contestada por um grupo divergente articulado pelo Onaireves Rolim de Moura, o homem das bolas de futebol e da sorte, um dos pioneiros da modalidade de jogo no Paraná.
BIZARRICE Nas imediações da Assembléia Legislativa, o empresário Guilhobel Aurélio Camargo, que pediu impeachment do governador Requião, encontrou com o vice Orlando Pessuti e saudou-o com uma ironia: ''estou fazendo o possível para que você assuma o governo!''. Sorrindo, como é do seu jeitão, Pessuti replicou: ''Lelo, você é mais do que amigo. É mui amigo!''
Nas imediações, curtindo a troca de motejos, o secretário Ricardo Gomide, do Esporte e Turismo, também amigo do empresário-enxadrista.
FOLCLORE Campêlo Filho foi à CPI da Copel e mais uma vez distribuiu material estranho ao caso, inclusive um protegido por sigilo e que envolve Caíto Quintana na condição de serventuário da justiça em função de correição havida em seu cartório. Quando alertaram Campêlo de que a matéria era protegida por sigilo rebateu: ''eles podem desrespeitar essa proibição, os outros não!''





