Impeachment e pizza

O governador Roberto Requião infringiu o texto constitucional ao contornar uma proibição expressa - a de que não poderia acumular cargos. O artigo 28 da Constituição Federal, em seu parágrafo primeiro, estatui que perderá o mandato o governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta. Essa acumulação com a Segurança, está demonstrada, e de forma reiterada documentalmente via Diário Oficial e também pelas seguidas afirmações a jornais, rádios e tvs, no ''site'' do Palácio Iguaçu, de que detinha o comando da Segurança, ainda que provisoriamente.
Vejam, porém, que situação ''non sense'' que o governo promove: o promotor, que foi designado para a Segurança, também não poderia ocupá-la, da qual se afastou até o TJ aceitar essa compatibilidade que a instância superior poderá fulminar, se prevalecer a jurisprudência até aqui assentada. E os atos praticados poderão ser arguidos como nulos de pleno direito ou sanáveis?
Mas não foi só o governador que dormiu no ponto como também o próprio subscritor do pleito, o empresário-enxadrista Guilhobel Aurélio Camargo, que só agora, numa faísca atrasada que nos atinge a todos, tomou ciência da grave anomalia listada entre as proibições expressas ao Executivo. Não se sabe se o governo é patético ou alinhável entre patetices como aquela da caneta-revólver que, embora sendo arma proibida, era alvo de bajulação na intimidade da pasta de Segurança e objeto de um presente ao hierarca de plantão.
Com as Pandectas e textos de Ulpiano embaixo do braço, os juristas da área oficial tirarão tudo de letra. Se é verdade que o governador dizia acumular a pasta da Segurança a prática, a matéria fática, demonstrava o contrário, tal a escalada de violência havida no Paraná com aumentos superiores a 30% em todas as modalidades e especificidades criminosas. É uma prova documental de que não estava no posto e, em consequência, não há como demonstrar o contrário.
No Brasil atual não se cultiva o ''livrinho'', a Carta Magna, a que se referia o general Eurico Gaspar Dutra e ao qual fazia referências seguidas com essa expressão enunciadora, antes de tudo, de carinho. Um édito do Banco Central ou de qualquer instância burocrática assemelhada, inclusive do Contran, derroga ou ab-roga o ''livrinho'' com a máxima naturalidade.
BIZARRICE A base aliada do governo no campo dos bingos está aos cuidados do Onaireves Rolim de Moura. Ela fez um manifesto contra a direção sindical que afirma ter documentos que comprovam a doação à campanha do PMDB. Se bingos não têm dinheiro para dividir, pelo menos politicamente já estão divididos.
CREDIBILIDADE O Paraná está com tão baixa credibilidade que a despeito da relevância das rescisões contratuais houve pouca repercussão nacional.
FOLCLORE Quando nomearam Jamil Hadad para a Saúde, Lula disse que haviam posto o Cafuringa no lugar do Pelé. Captada a mancada, pois Hadad era aliado, telefonou-lhe, desculpando-se e disse aqui é o Lula e ouviu aqui é Cafuringa. Na crise do Instituto Nacional do Câncer saiu de novo o Cafuringa.

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