LUIZ GERALDO MAZZA
Um Bové cosmopolita
Há quem siga o agitador ruralista francês José Bové, que aparece como figura de destaque no Fórum Social de Porto Alegre, e que manda incendiar as lavouras transgênicas ou faz manifestações contra o McDonald. O ''mix'' da suposta resistência à globalização é tão grande que inclui contestadores articulados e seguidores de utopias do padrão ''retrô'' como as do agrarismo primitivo. Como não deixa de estar na contramão da ''lógica do capitalismo'' acaba ganhando adeptos e às vezes radicalíssimos.
Não são poucos que olham o nosso governador como um Bové de linguajar até sofisticado, mas voltado para o passado remoto, política e administrativamente falando, no culto de valores do nacionalismo autárquico dos anos 50 e início dos 60, ainda nos bons tempos do Estado provedor. A articulação verbal moderna e o conteúdo de um arcaísmo assustador formam essa figura híbrida, marcante, que é Roberto Requião.
Nas entrevistas de ontem na Rádio CBN e Tv Paranaense Canal 12, em que buscou minimizar as razões de mercado que fizeram despencar as ações da Copel, alegando que a inadimplência é elevada e que não iria sobrecarregar usuários com sacrifícios, ainda prometeu implantar logo a anistia dos pobres no pagamento da conta de luz. Incorreu num erro grave ao dizer que o Paraná oferta 600 empregos ao dia, o que se dava no primeiro trimestre, já que no segundo a taxa caiu quase pela metade, a 330.
É o mesmo estilo de sempre: ele foi o melhor secretário de Segurança do Brasil enquanto acumulava o posto com o de governador (as taxas de crimes se elevaram em mais de 30%), a polícia era a melhor do país no primeiro governo, a energia mais barata é a daqui, tal qual se dava, quando prefeito, e que mostrava nos anúncios Curitiba com o menor custo de comida (o Samek, hoje na Itaipu, tocava um sacolão, alegria da classe média), a tarifa mais baixa de transporte coletivo (quase quebrou as concessionárias por mantê-las deprimidas e obrigando-as a ir ao Judiciário para reverter a prensa), enfim o milagre da inspiração feito rotina, a revogação da realidade pelo discurso e a força, é claro sem perder a ternura.
Há quem adore o discurso voluntarista e que oferece os riscos conhecidos que a história tem revelado. Como dizia Stanislau Ponte Preta ''para quem gosta de jiló, urubu é colibri''.
SÓCIO OCULTO O presidente da Federação Paranaense de Futebol, o Onaireves Rolim de Moura, organizou um abaixo-assinado junto aos seus colegas de bingo para desqualificar a presidente do sindicato dos empregados, Janete do Rocio Nowakowski, que fez a denúncia no TRE da doação dos bingueiros e que não foi declarada na prestação de contas. Onaireves sempre esteve na ponta de lança dos acontecimentos ligados ao bingo desde os tempos selváticos dos sorteios ao vivo em estádios de futebol e que beneficiavam alguns clubes e políticos.
Onaireves, junto com Ricardo Teixeira, trouxe o jogo Brasil e Uruguai para o Pinheirão em 19 de novembro deste ano como evento do sesquicentenário.
CONTRASTE Semanários com visão diversa do mundo: ''Hora H'' governista mostra o Campêlo usando o e-mail do consul da Nicarágua (pai do ex-secretário) e o ''Impacto'', do contra, dando baile com degravação do encontro PMDB-Bingo.





