LUIZ GERALDO MAZZA
Pesquisas fantasmas
Como não há feitos governamentais - obras, decisões na economia - proliferam as pesquisas. Há as eleitorais, de variada origem e disparatada conclusão, e também as referentes às preocupações dominantes da população. Uma delas sugere que o pedágio é a preocupação dominante. E isso se dá num momento em que começa a arrefecer a confiança nos resultados das ações de Requião. A cada dia cresce a perspectiva de que, a despeito do aparato armado nos fronts judicial e político, o usuário ''dançará'' como sempre.
O destaque ao pedágio, consequência do andamento emocional da matéria, é arma de dois gumes: de um lado revela confiança na determinação do governador, mas a médio prazo tende a desvanecer, já que, a cada alargamento do cronograma do ''baixa ou acaba'' aumenta a legião dos frustrados que afinal desejam ver essa parada vencida o mais rapidamente possível.
Pesquisas eleitorais estariam assegurando ainda uma vitória da dupla PT-PMDB, o acessório na cabeça e o principal a reboque, o que mostraria pouco apreço da parte do governo pelo partido que comanda com poder incontestado. Se existe impaciência com o pedágio, cuja incubação passa do tempo, imagine-se o que não haverá com as expectativas da população relativamente a feitos que mudem o quadro de imobilismo que estrangula a nossa economia.
O recuo no caso das tarifas da Copel deixou os dirigentes da empresa no mínimo constrangidos - se fossem jovens estariam ruborizados e se mais maduros tirariam o time de campo - e é o estilo Requião, que parece acionar os raios de Zeus quando aborrecido. A idéia de que o corte do aumento, o primeiro de 25% e o de agora de mais 15%, injeta recursos na economia é uma simplificação ao estilo populista, negando o retorno a um setor que precisa reinvestir e pagar acionistas. Imaginem Lula cortando os tributos, a três por dois, para manter a produção e a felicidade do usuário.
GRAMPOS A divergência entre Campêlo Filho e Delazari vai longe: o primeiro insiste que o outro fez interceptações telefônicas entre 27 de janeiro e 12 de fevereiro ilegais e com o detalhe surpreendente de que essa tarefa teria sido cumprida pela Polícia Federal, sem competência para agir e sem a ordem.
Como se vê isso está mais parecendo ''misturador de vozes''.
TRANSFUSÃO A Copel teve lucro razoável no primeiro semestre, apesar de não ter se valido do reajuste de 25% nas tarifas. Aquela idéia de dar energia a custo zero para os pobres está suspensa. O governador cortou contratos, busca renegociá-los (incluído aí o caso da usina a gás de Araucária), o que não deixa de ser plasma num corpo anêmico, já que o liberta de parasitas. Mas o corte do ajuste tarifário tem resposta imediata no mercado, tal qual se deu na primeira vez com a desistência dos 25%: ações despencam aqui e em Nova York.
FOLCLORE Governo fez acordo com MST. Recuou num despejo e teve a garantia de que não haverá mais invasões. Ontem houve uma em Guarapuava atribuída a outra sigla. Agora o mimetismo garante a mobilidade focal: como camaleão, que muda de cor, o movimento muda de nome e pronto. Para quem recruta para suas legiões desempregados e favelados nas periferias urbanas o mimetismo é essencial.





