Missão perdida
A ida de Requião ao Texas, ainda que se trate de esforço legítimo para defender nosso principal ativo, a Copel, perde muito de sua relevância face à ausência da ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, que poderia funcionar como ponte entre o Paraná e o governo federal na questão do modelo energético. Há compreensão para as razões do nosso governador e a sua resistência pode levar, de fato, a alguma concessão que não interferirá na estratégia de desverticalizar a estatal.
Mas o sistema do Texas não é um bom referencial até porque o vexame do ''apagão'' que levou o caos a Nova York e ao Canadá não é um paradigma muito adequado. Além de tudo a matriz energética, ao contrário do nosso caso que se funda na hidro-energia, no caso específico, é lastreada no carvão. No Brasil é impensável voltar aos bons tempos em que o Estado tomava iniciativas no campo da infra-estrutura. Em primeiro lugar não há recursos e em segundo se torna indispensável seduzir a iniciativa privada, nacional e estrangeira, para suprir esse papel.
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, hoje um realista em marcha para a realeza, segundo críticos mais contundentes, anunciou ontem que é intenção do governo Lula antecipar essa ação para a retomada no desenvolvimento. Claro que isso significa abertura para a iniciativa privada que exige regras claras e respeito às agências reguladoras e não tumultos como os que o governo Requião aqui produz, ainda que em muitos casos com sobras de razão, o que só pode afastar investidores. Assim mesmo são frágeis as perspectivas de fluxo de capitais que neste ano não chegariam a US$ 10 bi, o que era comum aqui no Paraná na gestão de Lerner.
O Paraná deve ajudar, no que for possível, o esforço de proteção de Requião pela Copel. Mesmo que aparente quixotismo. O Paraná diante da União apanha mais do que mulher de apache. Essa, a tradição. Reagir é preciso.
BIZARRICE Professores, a favor e contra Lula, se pegaram em passeata na base do tapa. Enquanto o governo federal faz tudo por etapas, a suposta esquerda (haja heresia!) se pega no tapa.
AXIOMA Uma sentença antiga diz que a esquerda não se une nem na prisão.
GLOSA Se mais casas de bingo forem liberadas judicialmente e a ação do PFL se aprofundar no caso da grana da jogatina na campanha de Requião, cairá por terra a aura moralista que o governo pretendeu assumir.
EPIGRAMA Não basta o fato de termos no Congresso vereadores federais. Pois agora um de Curitiba se transforma em vereador estadual e deseja, nada mais nada menos, do que o ''impeachment'' de Requião, aquilo que nem os juízes conseguiram em sua primeira gestão. Merecemos os políticos que temos.
FOLCLORE A Tim informou que a interceptação dos terminais telefônicos de Campêlo Filho só foi solicitada em 13 de fevereiro de 2003. Segundo Campêlo o procurador Delazari já fazia as interceptações desde 27 de janeiro. Campêlo inclui mais essa na notícia-crime contra o seu contendor. Até algum tempo atrás se procurava arapongagem no governo Lerner e agora há o mesmo tipo de acusação. Nada temos de novo nas virtudes e tudo se repete nos vícios.

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