LUIZ GERALDO MAZZA
Guerra de dossiês
O PMDB está querendo usar todos os meios para desviar a atenção do público diante da história nebulosa da visita aos bingos por elementos da guarda pretoriana de Requião. Além da campanha, reaquecida, para pressionar o TRE a julgar logo o Caixa 2 atribuído ao PFL e que beneficiou Taniguchi, tentam agora dar em detalhes quais os crimes em que teria incorrido o advogado José Cid Campêlo Filho, ex-secretário de Lerner.
Enquanto, porém, eles fazem isso, o Campêlo, juntamente com o empresário e enxadrista Guilhobel Camargo, ganha mais uma na 4 Vara da Fazenda Pública e contra o edital da propaganda por não ter observado a circunstância de que o processo só se esgotaria, o da ação popular, com o julgamento do mérito. Mas a vitória não é só no Judiciário, uma vez que manifestações de rua, na celebrada Boca Maldita, exigiram, no sábado passado, o clareamento dessa história muito sinistra do proselitismo do PMDB junto aos bingos. Houve a acusação, embora ela não esteja bem nítida, de que Requião foi beneficiário da manobra e isso pode apontar para um Caixa 2, caso a contribuição da jogatina não apareça nos livros contábeis da campanha.
Troca de dossiês são comuns na vida política brasileira e paranaense e lembram a guerra de babuínos, aqueles primatas que se agridem - um bando pra cá, outro pra lá - com as próprias fezes. O PMDB é mais apto para o agito do que para governar pelo menos na versão paranaense. Botar a ''procissão'' na rua, desfigurar certidões para implicar pessoas, pichar muros usando acusações violentas, mobilizar invasores de áreas urbanas e lúmpens para o exercício de pressão como fizeram com grupos do MST em praças de pedágio é o estilo. Gerir a coisa pública, mostrando um mínimo de disposição para a racionalidade, é uma hipótese remota, dada a preferência pelo uso da intimidação, como faziam as brigadas de camisa negra do Mussolini.
A maior prova disso está em Curitiba: como visualizar obras do grupo que afinal esteve no Poder duas vezes (Fruet e Requião) diante do massacre dos feitos de Lerner, Rafael Greca e Cassio Taniguchi? No estado ainda há algo, mas dos tempos de Richa, Alvaro Dias e, em menor escala, de Requião.
BIZARRICE No Natal o Guilhobel Camargo terá enchido tanto a paciência do governo Requião que os áulicos em lugar de Jingles Bells ouvirão Guilhobel. O homem como enxadrista está mais próximo do Marquês de Sade e do Masoch do que do Karpov. A correia da tortura em lugar do tabuleiro.
AXIOMA A licitação da propaganda do governo só vai estar pronta quando terminar a novela ''Mulheres Apaixonadas'' e o Téo, de chifre barroco, voltar aos braços da Helena. Nome da trama: ''Editais enganosos ou incompetentes?''
FOLCLORE Se todas as ações trabalhistas em andamento emplacarem, a autarquia dos Portos de Paranaguá e Antonina soçobra. Só sobra e soçobra. Alguns desses galhos se originaram no primeiro governo Requião; outros são históricos. É mais fácil bater a ''banda podre'' da polícia do que essa usina. Tudo obra do populismo, malícia advocatícia e corpo mole de agentes públicos.





