O tédio repetitivo

Alvaro Dias ajudou a eleger Requião tanto a prefeito como a governador. Requião não deu a contrapartida ao recusar-se a apoiar, como candidato ao Senado, Alvaro a governador. Depois Alvaro repicou: fez o acordo branco (e essa hostilidade a Lerner no PSDB é para ocultar aquele acerto) que lhe deu espaço livre para chegar ao Senado e que custou a derrota de Requião.
Aos que me perguntam quem seria pior na atual quadra paranaense, não hesito em dizer que seria Alvaro, o que não exclui a dificuldade de optar pelo menos ruim. Basta lembrar um detalhe da última eleição: o Paraná foi um dos poucos estados, cuja soma dos postulantes levados ao segundo turno deu cerca de 45% dos votos válidos. Em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, eleições acirradas e ideológicas, os polarizadores levaram 70% dos votos. Só isso deveria servir de parâmetro para que o vencedor tivesse humildade.
Foi uma pena que tivéssemos perdido a oportunidade de eleger o ''novo'' em 2002. E ele não era nem o Beto Richa, apesar da juventude, e muito menos o Rubens Bueno, embora a limpidez da campanha, ou o padre Roque. O novo era Osmar Dias que foi sacrificado na reeleição ao Senado. Se sai candidato, o próprio Requião buscaria reeleger-se na Câmara Alta e teríamos a melhor das soluções. Isso tanto é verdade que há uma crescente convicção de que nenhum político do Paraná detém hoje as condições potenciais de Osmar como saída sucessória ideal. Ele une à já demonstrada capacidade administrativa (sua passagem pelos governos Richa, Alvaro e Requião) firmeza política.
Essa ausência de renovação é a prova explicativa da falta de credibilidade política do Paraná. A suposta simetria entre Requião e Lula, na quadra que vivemos, não oferece qualquer vantagem, dada a abrangência da crise. Mesmo nos momentos de maior prestígio do Paraná, o ciclo neista, não soubemos operar bem a questão da reciprocidade: tivemos ministros é verdade, mas nada fincamos de sólido nas estruturas de Poder que paranaenses frequentaram. Nesse aspecto os mineiros nos deram um ''banho'', valendo-se dos quadros do seu banco de fomento. Essa ausência de quadros e de estratégia política é trágica. Explica tudo, embora muitos busquem a interpretação de nossas carências na suposta ausência de identidade cultural da terra, tema normalmente tratado com a ligeireza da sociologia de bolso, ainda que, desde Brasil Pinheiro Machado, o tema tenha sido enfocado com alguma densidade e articulação.

BINGO Se o Caíto Quintana e o Luis Cláudio Romanelli foram a um bingo fazer campanha eleitoral em favor de Roberto Requião e até se deixaram filmar com naturalidade é porque, obviamente, nada viam de mal no que faziam. Ao revés se achavam em atitude missionária num pleito que se anunciava difícil.
O apoio dos bingos a Requião é assunto que valeria uma CPI, como sugere o deputado Plauto Miró Guimarães. Como deveria também interessar à Justiça Eleitoral e caso a afirmação dos bingueiros (a de que deram a ''grana'') não se comprovasse na contabilidade, isso levaria, por outro lado, à suspeita de Caixa 2, o que mereceria também investigação. Como a sarna que se expressa só no coçar, a suspeita é assim também e pode alcançar culpados e inocentes.

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