LUIZ GERALDO MAZZA
E os planos daqui e de lá?
É sabido que o Brasil não tem um projeto nacional. A rigor nunca teve. Os embriões nacional (Plano Salte, dos anos 40, Saúde, Alimentação, Transporte e Energia) e o estadual (Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná, Pladep) ao menos assinalavam prioridades e intenções. Nacionalmente o governo anuncia um programa voltado ao financiamento da infra-estrutura para alavancar a economia e gerar empregos, e que seria partilhado com a iniciativa privada, com esta assumindo a maior parte até porque não há recursos oficiais.
No Paraná nada se vislumbra a não ser o clima contestatório, em muitos casos cercado de razões, mas que nada indicam para o fomento da economia. Ao revés há até extrema desconfiança do capital privado em relação aos transbordamentos oficiais. O leite anunciado universalmente está, gota a gota, atendendo áreas de mais baixo IDH, Índice de Desenvolvimento Humano. A energia de graça ficou na promessa como também a derrubada do pedágio. Restou a proibição do bingo que para uma população desesperada e sem emprego ainda era uma das fantasias de sua precária esperança.
Tanto a União como o estado-membro, em momento o mais inadequado, ficam também imobilizados pela gordura da tecnoburocracia. A quantidade de pastas ministeriais e secretariais é a evidência da irracionalidade para atender caprichos de campanha eleitoral, acompanhando FHC e Lerner. Portanto nem nessa questão elementar Lula e Requião inovaram, não se sabendo se é incompetência ou pura acomodação. Se ambas as esferas de poder cortassem, por ausência de desempenho, ministérios e secretarias o governo não entraria em anorexia, mas ficaria provavelmente com menos de um terço dos entes públicos e, respeitado o trocadilho, com mais doentes atendidos.
A iniciativa privada já deu o recado: só se associa se houver regra clara. Com Lula seria mais fácil obtê-la do que com Requião que não está nem aí para efeitos perversos de suas ações quanto ao risco Brasil, embora em alguns casos tenha mostrado bom-senso ao reverter algumas das medidas tomadas.
BIZARRICE - Quando Lula citou a inauguração da Kraft como prova de confiança no Brasil me lembrei de um texto que fiz quando na Avenida Luis Xavier tínhamos a Galeria Garcez, última obra de Hermes Macedo, e o Palácio Avenida sediando o Bamerindus. Citei os dois referenciais como evidência, num momento de crise, de fé no Brasil. Falei demais: perdemos os dois e mais a Mesbla e mais as malas IKA que estavam ali na menor avenida do mundo.
AXIOMA - Anunciam corte de cabeças de jornalistas, talvez para intimidar, mas ontem o guilhotinado foi o cineasta Frederico Fulgraf da Rádio Educativa.
FOLCLORE - No centenário do Paraná, em 1953, Getúlio Vargas ficou no Palácio São Francisco, hoje sede do Museu Paranaense. O professor Milton Carneiro, chefe da Casa Civil, me chamou no andar superior e subi às pressas quando me vi, frente a frente, com o Gregório Fortunato, o guarda pessoal do presidente que um ano depois provocaria o incidente que levaria Vargas ao suicídio. Gregório me deu um ''amável'' empurrão que me fez rolar escada abaixo. O fato não tem a menor importância. Valeu pelo susto.





