A vez dos sem-bingo

Temos agora que suportar um novo movimento social, o dos sem bingo. E o deputado Plauto Miró Guimarães até desiste da CPI do MST em favor da do MSB, o dos sem bingo. E tudo nasceu dessa fita com vídeo e áudio flagrando próceres do PMDB em esforço de proselitismo eleitoral, inclusive apoio financeiro, como se depreende do que tem sido dito, e na qual aparecem o Caíto Quintana, hoje Chefe da Casa Civil, e o Romanelli, secretário da Habitação. Como Requião demonizou o bingo ao ponto de fazer as pessoas sentirem no incenso que animava as casas de tavolagem o cheirinho de enxofre do Inferno, agora se pergunta: não teria havido ''contaminação'' ?
Como o bingo não é ilegal ao menos na maioria dos estados brasileiros pode-se concluir que se houve ''grana'' dessas organizações na campanha eleitoral não haveria crime, posto que a afirmação do governador de que elas se prestam, na verdade, para ''lavagem'' de dinheiro fulminaria a operação pelo ângulo moral e político. A maior lavagem, como os órgãos de segurança nacional tem apurado, é feita em cima da loteria como se dava com aquela figura emblemática do João Alves, um dos ''anões'' da Comissão de Orçamento da Câmara Federal e que parecia ter parte com os deuses, tanto que acertava nos resultados.
O bingo já foi tema que aparecia mais na mídia do que as invasões do MST, hoje fato absolutamente dominante ao lado das greves contra a Reforma da Previdência, pelo menos enquanto o nosso então deputado federal Rafael Greca era ministro de FHC. E agora ele retorna e a peça principal da CPI será a fita do encontro dos peemedebistas com dirigentes e trabalhadores do bingo.
Quando o PMDB usa, de forma cavilosa, uma fita de festa privada como a do casamento da filha de Lerner em Nova York seus dirigentes acham que é válido usá-la até na propaganda eleitoral, como foi feito. Agora quando apanhados num pecado, de certa forma venial, acham que é tudo natural. O que acusam nos outros não pode atingí-los, o que convenhamos é um raciocínio fascista, aquele que se assenta justamente na negação do ''outro''.
BIZARRICE ''Jamais seria capaz de beijar o chicote que me vergasta''. Atribuíram a Alvaro Dias essa frase quando deixou o PSDB por ter pretendido enquadrar FHC numa CPI. Pois ele voltou ao tucanato com apoio de sua ala cardinalícia. Depois perguntam por que se deve tomar Engov ao tratar de política no Brasil.
AXIOMA A análise política está cada vez mais aproximada dos misteres de um coprologista num laboratório de análises clínicas.
GLOSA Outra mediocridade da política de repetições é essa especulação de que Lerner poderia sair candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, razão pela qual ingressaria no PSDB também. Só falta usar como disfarce, como fez em 1998, para voltar ao governo municipal de Curitiba na campanha dos 12 dias.
EPIGRAMA E o chicote da Tiazinha daria para beijar? Mesmo que se dissesse que se tratava de um ósculo no azorrague.
FOLCLORE Depois da caneta-revólver que estourou no gabinete do secretário de Segurança tivemos agora um caso de visita ao bingo inteiramente bingada.

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