LUIZ GERALDO MAZZA
Negociação com aval
A encampação do pedágio até aqui, como se depreende da decisão da juíza da 3 Vara da Fazenda Pública, não teve a sua legalidade e constitucionalidade enfim discutida. Quando muito, ao não acolher a liminar por não caber ação popular contra lei em abstrato, manteve o dispositivo como forma de pressão para forçar negociação e nada mais. O exame do fato legal só se dará quando vier a ser consumada a encampação.
Claro que as concessionárias poderiam ingressar com medida cautelar contra a lei, visando justamente vedar previamente a sua aplicação. Elas são cuidadosas até porque olhadas pelo público, independentemente da pregação de Requião, como um mal que a todos aflige, direta e indiretamente. Razão pela qual entendem que as armas do poder concedente são mais políticas do que jurídicas em função dos termos contratuais, ainda que absurdos pela ausência da cláusula econômica que visualize ganhos e perdas.
O público, especialmente os usuários, é pela baixa das tarifas. Não há aí o que discordar, todavia o aparato legal do governo é precário porque se trata de um modelo adotado nacionalmente e que será revigorado no ataque a obras de infra-estrutura, desejado por Lula, também por essa via contratual para dar o prometido espetáculo da retomada do crescimento. Se as concessionárias tiverem uma ''capitis diminutio'' em função da pressão no Paraná isso poderá se alastrar a outras regiões como ''faísca na pradaria''. Daí porque haverá resistência de todo o cartel em cima do fato paranaense.
Se o modelo nacional for leonino como o daqui em favor das concessionárias o único feito visível até agora é o da devassa contábil que pode ou não dar os resultados esperados e arrombar ou não a ''caixa preta''. Não adianta pressa e ações selvagens como a das invasões de praças de pedágio ou os bloqueios de caminhoneiros. Essas marcam ponto a favor das beneficiadas. O vitimalismo é arma que favorece mocinhos e bandidos na cultura brasileira.
RÁDIO - Jornalismo em rádio é bom negócio: o caso da CBN-Curitiba, um sucesso em seus mais de oito anos de existência, e agora o da FM 96 que em apenas duas horas de noticiário (7 às 9) atinge a metade do faturamento integral. Tendo quem saiba vender jornalismo há retorno financeiro. A equipe da FM 96 é uma dissidência da CBN com José Wille no comando.
CARÊNCIA FATAL - Aliás um dos limites da Comunicação Social tem sido a ausência de dirigentes aptos na comercialização e a subordinação a rotinas acanhadas. Não se reproduz em nosso campo (jornal, tevê, rádio, outdoor, revistas, etc) o que se dá na economia de um modo geral. Um exemplo: empresas do Paraná deram um banho nas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul em seus lucros. Em 2002 o lucro foi de R$ 5,7 bi, avanço de 82% sobre 2001. Está na revista gaúcha ''Amanhã''. Houve também prejuízos e o maior deles na Renault com R$ 1,4 bi.
FOLCLORE - A CBN dava uma dessas notícias sobre a liderança de Curitiba como área de negócios quando um bando de Quero-Quero passou, em gritos, como se ilustrasse a informação. Arrematei: nos pássaros a voz do excluído. Os que estão fora da euforia protestam.





