LUIZ GERALDO MAZZA
Cravo e ferradura
O Padre Roque, o interlocutor do governo com o MST, divulgou que o militante morto, Francisco Nascimento de Souza, fazia parte de uma lista de marcados para morrer feita por latifundiários. Só que a polícia do Paraná prendeu quatro suspeitos daquele homicídio, todos ligados ao MST.
Da mesma forma que não é justo criminalizar o MST também não parece sensato tratá-lo como bem-aventurado e muito próximo da beatificação. O maniqueísmo é um pontapé na razão, parta de quem partir, escorado que esteja nas melhores causas, da moda ou não, como sempre alicerçado nessa coisa bastante vaga apelidada de ''Justiça Social'', em nome de quem se praticam barbáries.
Agora o setor de Segurança obtém outro êxito: a PM de Laranjeiras do Sul prendeu seis homens do MST que portavam 600 sacas de soja roubadas da Fazenda Araupel. Só falta usar o jargão revolucionário para sugerir que tais bens do latifúndio teriam sido expropriados para fins nobres da utopia retrô.
Se a Segurança cumpre o seu papel dá para perceber a ambiguidade do governo com os discursos de notória cumplicidade do Padre Roque. O próprio governador tenta favorecer o MST com suas declarações como a de que se trata de algo abençoado por Deus, argumentando que seria mil vez pior se essas operações não fossem organizadas e acabassem regidas pelo desespero e a desarticulação. Uma no cravo, outra na ferradura.
Essa ambivalência do poder público em nada serve a paz social e ao contrário anima o MST a operações audaciosas, ainda mais depois daquela partilha com setores do PMDB na invasão das praças de pedágio, uma inutilidade afrontosa, já que a lei de encampação tramitaria facilmente no legislativo, dispensando o aparato ridículo de caminhoneiros cercando a Assembléia. Agora um procurador de Justiça acaba de conceder limimar contra a vigência da lei de encampação por nulidades essenciais e até matéria de constitucionalidade duvidosa. Como se vê o ritmo de governo nem sempre é sincrônico ao da Justiça, embora essa possa, ao final, dar razão ao Executivo.
O incidente circunstancial deveria servir de referência pedagógica para que se dosasse um pouco esse voluntarismo que toma conta dos nossos hábitos. A suspensão e invalidação das auditorias nas pedagiadas pela Justiça Federal, devolvendo ao DER tal atribuição, é outro acidente de percurso, resultado da afoiteza das medidas adotadas, não precedidas de cuidadosa reflexão.
BIZARRICE Setores da mídia acham que há método nessa insistência do governo em cometer erros nos editais de licitação da propaganda. Com tudo isso e sem os recursos dessa clientela (a pública), o noticiário é dominado por Requião em função do estilo contundente. De repente dá a fadiga do material, o estresse.
A justiça acaba de derrubar o edital, outra vez.
AXIOMA O secretário de Segurança, Delazari, se reuniu com a hieraquia da área civil e militar e atribuiu à mídia os registros sobre violência como se eles não resultassem de fatos concretos e decorrentes de ênfase noticiosa. Balas perdidas saíram no ''Fantástico'', mostrando que aqui o dado é mais concreto do que o da telenovela, este sim, da ficção que reproduz a realidade.





