S.O.S, o Paraná encolheu

Da mesma forma que não se deve confundir a árvore com a floresta também é preciso acautelar-se ao ver um quadro conjuntural como se fosse permanente.
Quem levanta o problema como tema principal de sua última edição é o ''Caderno de idéias'' da Travessa dos Editores. Na capa, uma foto expressiva: um cidadão numa estrada conduzindo a mala com etiquetas de empresas que perdemos: lá estão Lojas HM, Cargill, Chrysler, Bamerindus, Inepar (essa confinada agora a Araraquara) como poderiam aparecer Móveis Cimo, Philip Morris, Refripar, Nossa Senhora da Penha e tantas outras mais.
Como normalmente o que prevalece por aqui e isso de forma generalizada e o próprio Requião a cultiva é a onda do triunfalismo, dá para imaginar o quanto de polêmico se estabelece num tema desses. Para valer-se apenas e tão somente dos dados desse ano, e que eram bons, razão pela qual o governo estadual os explorou, dá para ter uma idéia. Ao perceber que no primeiro trimestre haviam sido criados 54 mil empregos no Paraná (nos quais não havia um só e único mérito da gestão atual, embora houvesse da anterior de Requião como já disse), o governador se apressou, sem avaliar bem o que afirmava, em dizer que estava criando 600 empregos por dia. Isso é ''a cada dois dias uma montadora''.
Quando fechou o segundo trimestre, já sob o impacto forte da pré-recessão e sem a blindagem do período anterior gerada pela euforia das exportações, a cota diária do Paraná, ainda assim uma das melhores do País, havia caído para 330 colocações, quase a metade. Dá impressão de que se continuar nesse ritmo dentro em pouco o estado lembrará ''banana-passa'' ou, como dizem os irmãos litorâneos, ''maracujá de gaveta''.
Obviamente como Requião não é o autor dos empregos não merece também o débito dessa queda vertiginosa apropriada à crise que alcança todo o Brasil. O Paraná encolheu, sim, e não deve aos feitos de Jaime Lerner a eventual recuperação dos empregos que ocorreram dominantemente no interior e em função do agronegócio.
O risco do governo atual é a sua hostilidade, sem fundamento na lógica, ao capital estrangeiro. Não precisa e nem deve ser concessivo como Lerner, mas cair no outro extremo é ignorância. Uma das charges da revista é Requião como espantalho expulsando dólares numa lavoura, arte do Paixão, feita com muita serenidade. País que não tem poupança interna depende da estrangeira. Essa é a nossa equação, até aqui pelo menos incontornável.
EXISTENCIALISMO Quem mais difundiu o existencialismo e o popularizou, embora de forma pouco acadêmica, foi Emilinha Borba, nos carnavais brasileiros, com a Chiquita Bacana ''lá da Martinica// se veste com uma casca de banana nanica// Não usa vestido, não usa calção,// inverno pra ela é pleno verão// existencialista com toda razão// só faz o que manda o seu coração''. Pois no ônibus do bairro ao centro deparo ao meu lado com uma ninfeta, com delicada tatuagem na perna, de olhos num livro de Merleau-Ponti, provavelmente consumidora de Sartre, Camus e outros da mesma árvore, de cuja raiz faz parte o Nietzsche. O essencial é o existencial ou o contrário?

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