LUIZ GERALDO MAZZA
O voto perdido
Em meio a essa abrangente polêmica em torno da morte da Fernanda da novela ''Mulheres apaixonadas'' por uma bala perdida com autoridades do Rio achando que essa referência virtual, que reproduz a realidade, é prejudicial à imagem da cidade, hoje com seu aeroporto principal às moscas e desistência de muitas operadoras, Curitiba registra o possível terceiro caso concreto de disparo disperso no festival de entredevoramento das gangues. Enquanto nos entregamos à estatística das balas perdidas já dá para recensear os votos perdidos, em especial os provocados pelas reformas de Lula.
Lula deu uma jogada de mestre no basismo corporativo ao acelerar a votação da reforma da Previdência antes da passeata gigante, aliás instrumento que ajudou a levar o PT ao poder. Para esse pessoal, especialmente as castas de servidores que recebem fortunas num país pobre, foi um voto perdido. Para os que votaram em José Serra esperando a continuidade de uma política austera se deu o contrário: uma quase inesperada surpresa.
O governador Requião insiste em dizer, com o bom propósito de apaziguar os espíritos e conter a paranóia, que no seu governo foi detida a escalada da violência. Em Londrina, a cidade inconformada com algo a que não estava habituada, médicos da Unidade Básica de Saúde do Jardim União da Vitória suspenderam o atendimento da população por falta de segurança. A cada novo desmentido oficial um registro mórbido para contestá-lo. Como na música popular dir-se-ia ''e assim vamos vivendo de amor''. No caso, de horror.
BIZARRICE - Na quadra atual do Brasil (conflitos por causa das reformas e aqui em função da CPI do Banestado) dá para perceber claramente impossibilidades como a de um pacto nacional, como o de Moncloa na Espanha, tal a resistência furiosa ao acerto das contas previdenciárias, ou de uma hipótese de esquemas de tolerância zero na segurança. Tudo em função de hábitos culturais.
AXIOMA - O Neivo Beraldin sugerir que pode reverter a privatização do Banestado é bem o padrão de política que praticamos. Depois as pessoas se espantam com a avalanche de votos brancos e nulos em eleições proporcionais. Eles merecem.
GLOSA - O Padre Roque disse ter a lista de seis sem-terra marcados para morrer, mas que só a revela com autorização do MST. Depois estranham quando o outro lado quer uma CPI. Governo e militante não dá.
EPIGRAMA - Requião e Cassio Taniguchi se destemperaram ontem na CBN Curitiba: o primeiro acusou o segundo de ter os filhos como donos da ICI, a empresa de informática; o prefeito falou da ''carteirada'' do então senador que teria ocorrido no acidente provocado por um sobrinho e que matou duas jovens. Cassio é melhor quando ''zen''. Aí é zen por cento. Requião como a Gabriela da música popular pode entoar: ''eu nasci assim, eu cresci assim...''
FOLCLORE - Mário Pereira, sucessor de Requião, denunciou o caso do ambulante, com carrinho de cachorro quente, em cujo nome eram movimentados nada menos de US$ 1 milhão diariamente em agência do Del Parana, braço paraguaio do Banestado. Estava pelo jeito habilitado a competir com o McDonald.





