LUIZ GERALDO MAZZA
Gerador de expectativas
O maior problema do Paraná, hoje, é o da segurança pública. Em Londrina o número de homicídios subiu 58%, em Curitiba cerca de 30%. Assim mesmo setores do governo sugeriram, em noticiário da semana passada, que teria caído o registro de violência. Requião acusava Lerner de governar virtualmente. Pelo jeito deu contágio e com um detalhe: como no caso do antecessor também há muito de virtual e pouco de virtuoso a comemorar.
Uma siderurgia de expectativas está montada. Apela-se para a potencialização dos recursos humanos, que parece mais apelo do gênero ''pensamento positivo'' do que uma saída para uma situação tão grave. Cria-se expectativa a todo o momento como nos filmes de faroeste com a chegada da cavalaria militar. O crime está mais articulado, mesmo quando aos cuidados de pés de chinelo, do que o governo: delegacias estão cheias de presos e sujeitas à interdição por parte da autoridade judicial a qualquer momento. Houve fugas de presos em Campina Grande do Sul (14) e em Campo Tenente (4). O caos impera. As ações mais ousadas, como a dos delinquentes que incendiaram um módulo policial, fazem parte da rotina. E antes da novela das oito e meia, embora há muito esperada, tivemos pelo menos dois casos trágicos de balas perdidas.
Segurança vai ser novamente, como já ocorreu na última eleição, o tema preferencial da campanha municipal. Pesquisas da RPC, Rede Paranaense de Comunicação, nas ruas da Cidadania da Capital, cravaram em 84.2% dos votantes a segurança como a maior carência. Se num momento de recessão, em que as pessoas se angustiam com a falta de emprego e a crise econômica, a segurança é apontada como deficiência maior não dá para aceitar o quadro de imobilismo na área e, pior ainda, as trombadas visíveis entre delegados de carreira e o governo com este, no exercício da generalização, chamando de ''banda podre'' a categoria arregimentada em sindicato e associação. É indispensável lembrar que o Ministério Público e o Judiciário tiveram tempo para examinar o libelo da CPI federal e inocentaram o ex-secretário Cândido Martins de Oliveira e até agora os delegados acusados não tiveram a culpa formalizada.
Estamos no oitavo mês da atual gestão e os problemas se agravam também no setor de saúde e educação (a pendência em torno do transporte escolar pode gerar outra calamidade) e o que vemos, como método, é a geração de expectativas.
BIZARRICE Quando se falava sobre a execução de pessoas na União Soviética por causa da coletivização forçada no campo, Stalin proclamou: ''a morte de uma pessoa ou de uma família é uma tragédia, a de milhões estatística''.
AXIOMA Numa rádio, Transamérica Light, Requião fez ironia com o fato de eu ter feito uma palestra no congresso dos delegados de polícia que ele chama, com o clamor de sempre, de ''banda podre''. Fiz também uma na Secretaria de Justiça do seu governo sobre medicalização numa semana de ação contra as drogas. Não visto a camisa dos ambientes que frequento como convidado. Nem do governo, como no caso do PPS, em que avaliamos seis meses de governo, nem da oposição.





