LUIZ GERALDO MAZZA
O feijão e o sonho
A distância entre o possível e o desejável é a contingência da política em sua rotina. Como permear a realidade prosaica o País quebrado e dependente, a economia em recessão em meio à uma devastadora vocação populista com a utopia é algo como estar dominado pela verminose e sonhar em chegar à lua.
Nessas reuniões do secretariado do governador Roberto Requião às segundas feiras, já apelidadas de ''escolinha do professor Raimundo'' pelo pessoal mais empedernido das oposições, tem-se um pouco disso. O absurdo é Requião haver mantido a mesma constelação de pastas do governo passado, essa uma herança que não seria obrigado a assimilar, o que prova, antes de tudo, a inexistência de uma estratégia de sobriedade, de enxugamento burocrático e de eficiência. Valeria para criar no âmbito administrativo o senso imediato da economia, um mecanismo condicionante que bastaria estimular com bom regente de orquestra, condição que não faltaria ao governador.
O governo atual não tem um projeto como o anterior também não tinha, mas ao menos se valia do tal ''Anel de Integração'', justificador do pedágio, para revelar alguma afinidade com a geografia. Requião se atirou com veemência contra inúmeros contratos do seu antecessor, alguns com sobras de razão como os promovidos na Copel, outros nem tanto, faz muito barulho, tenta impor-se com um tipo de voluntarismo que desconsidera a realidade precária em que se move como a decorrente da falta de quadros operacionais, de recursos em escala suficiente e também das esganaduras do federalismo falso do Brasil. Determinou cortes radicais nas secretarias (quando deveria podá-las à metade) e afirma estar disposto a recuperar estradas, claro as que não fazem parte do esquema das pedagiadas e por isso mesmo se encontram em petição de miséria.
Voltar-se à infra-estrutura dos transportes, como anunciou ontem, é uma forma de evitar o confronto entre a malha fora do pedágio e a beneficiada. Haverá, porém, recursos suficientes para essa atuação? Já no plano social anunciou uma ofensiva nas regiões deprimidas, aquelas de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixos, com crédito para pequenas e microempresas é desconsiderar que o processo de desenvolvimento não depende apenas de vontades de lideranças, por mais fortes e sedutoras que sejam, mas também das condições de mercado, isso é da retomada do crescimento como fator indutor. E nesse campo dependemos de outras áreas de decisão, nacionais, e até aqui manietadas.
PEDÁGIO Além das nulidades invocadas contra a eficácia da Lei da Encampação do pedágio surgem novas: o DER, conforme está expresso, é a quem caberia a ação da devassa contábil; igualmente o coordenador, Pedro Henrique Xavier, não sendo funcionário público, mas tão somente liquidante do ex-Badep, não teria condições para exercer o papel abrangente que está assumindo.
A FILA Repercutiu mal a ''furada'' na fila de uma churrascaria por um figurão do governo estadual. Isso é doutrinário, pois afinal o governo estadual acha irrelevante as filas da Cohab, Cohapar e Incra na medida em que tolera as ações de invasores por se tratar de movimento social.





