LUIZ GERALDO MAZZA
A falta do preceptor
Por mais de uma vez tenho falado da importância dos filósofos nos governos. No de Lula há gente de sobra e talvez por isso mesmo não haja nitidez nas suas ações táticas e estratégicas, se é que de fato existem. Imperadores e chefes de governo sempre os tiveram.
Há carência do filósofo geral (um do PT, embora a complexidade de sua forma de expressar-se, é o discípulo de José Artur Gianotti, Emanuel Appel, hoje a serviço da massa crítica do ministro Cristovão Buarque) e, especialmente, daquilo que se poderia considerar um ''cientista'' político. Seria difícil o convívio de alguém com esse perfil diante do governador Roberto Requião.
Mesmo figuras centralizadoras da história clássica se valeram desses apoios. Aqui no Paraná, mesmo um intelectual do porte de Bento Munhoz da Rocha, não dispensava esse respaldo. Entre outros, o existencialista Ernani Reichmann lá estava, sem falar em companheiros como Milton Carneiro, Joaquim de Mattos Barreto e Roaldo Keller. Quando Adolpho de Oliveira Franco o substituiu trouxe o filósofo (um craque em Hegel, Husserl e Heidegger) Fausto Castilho, gênio de Cambará, mestre da USP-Unicamp.
Em todos os governos há intelectuais, nem sempre operacionais. Raramente pinta alguém como Belmiro Valverde, que tocou o Planejamento de Canet Júnior, e parcialmente o de José Richa, e a Educação de Alvaro Dias. A escassez de quadros é asfixiante e para melhor prestarem vassalagem à sociedade do espetáculo os gestores colocam o homem de marketing acima do pensador. Duda Mendonça em lugar de Francisco de Oliveira e de Marilena Chauí. Daí o absurdo de fazer de um ''teaser'' publicitário, o da Fome Zero, em plano estratégico, claramente uma senhora mancada como também a de considerar reforma agrária prioridade, como se o Brasil abrisse mão da modernidade para atender algo que está longe de encontrar solução de curto prazo com a ausência notória de recursos.
A engenharia de valores, da axiologia, deveria inserir-se nos governos. Estes quase sempre se mostram mais ligados nas metas físicas do que na metafísica. E quando as metas físicas não existem, como é o caso brasileiro e paranaense, aí há lugar para o discurso das generalidades, das intenções, sem qualquer indicador de prioridades lastreado em dados reais, factíveis. Pior do que a ausência de recursos é a de idéias até porque se costuma conceituar a economia como a ''ciência da escassez''.
RESISTÊNCIA Uma instituição que volta e meia sofre com a tentativa de politizar as suas análises e estudos é o Ipardes. Não poucas vezes, uma delas no governo Lerner, ameaçaram impedir a circulação de um estudo que trazia aspectos críticos da realidade paranaense. Esses organismos são instituições permanentes e não de um governante de plantão, como pensam os autoritários da terra. Aliás uma coisa curiosa que se dava no governo passado, e espero que se corrija no atual, é ocultar, ou pelo menos não dar a exata dimensão do fato, de que na listagem de importações, o primeiro item é das peças e acessórios de veículos, já que são precários nossos índices de nacionalização, vale ainda dizer de paranização.





